Orientador(es): CLAUDIA RODRIGUES
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC- AF
Essa pesquisa está vinculada ao projeto “Capelanias testamentárias na economia da salvação do Rio de Janeiro colonial (1750-1812), da professora Claudia Rodrigues. Nela investigamos registros paroquiais de óbito e testamentos de uma paróquia central da cidade do Rio de Janeiro colonial para analisar o impacto da administração pombalina sobre a prática testamentária, a partir de 1769. Percebi que as informações desses registros (nome, cor, condição social, origem, sacramento, mortalha) nos ajudam a entender a dinâmica social daquelas pessoas e como, até mesmo na hora da morte, elas encontravam formas de se distinguir no que chamamos de pompa fúnebre, que se expressava no ritual da encomendação e na realização de cortejo fúnebre com a presença de mais de um sacerdote, chegando a alcançar quarenta, como pude identificar nos registros de óbito analisados. Meu objetivo é identificar de que forma a instalação da família real portuguesa no Rio de Janeiro impactou ou não os rituais fúnebres com o aumento da pompa. Para essa JIC, pretendo identificar se os funerais marcados por essa pompa apresentaram outras especificidades, como em relação aos últimos sacramentos recebidos pelos moribundos, antes da morte, e, após o passamento, em relação às mortalhas que envolveram o corpo morto dos falecidos das famílias mais privilegiadas na paróquia da Antiga Sé. Os últimos sacramentos (penitência, eucaristia e extrema-unção) eram administrados pelo pároco que ia à casa do moribundo, muitas vezes por meio de uma procissão da qual participava a irmandade do Santíssimo Sacramento (no caso de o morto e sua família terem prestígio e/ou fortuna) ou de forma mais simples. Já a mortalha era o tecido ou vestimenta na qual o corpo era envolto depois da morte, podendo ser um pano colorido, lençol, as vestes de um santo ou de militar. Os hábitos de ordem terceira, irmandades ou conventual (como o de São Francisco) custavam mais que um simples lençol ou pano branco (RODRIGUES, 1997). Utilizei dois livros de óbito da nossa amostragem, correspondentes aos anos entre 1797 e 1819, para analisar 11 anos antes e 11 anos depois do ano de 1808. O Banco de Dados tem no total 4.651 registros e para a realização dessa pesquisa trabalhei com três etapas, sendo a primeira o recorte dos registros com elementos de pompa fúnebre, a unificação e correção de alguns campos, as consultas relacionadas à minha pesquisa e por fim analisarei os resultados. Em termos de números tivemos um aumento de mais pessoas que conseguiram receber todos os sacramentos, indo de 1.043 para 1.711 registros, também percebemos um aumento nas mortalhas de hábito religioso, que foi de 966 registros para 1.862. O estudo da pompa fúnebre presente no recurso aos sacramentos e mortalhas nos permite compreender em que medida a mudança social que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro com a chegada da família real impactou na maneira como as pessoas buscavam mostrar seu status social no funeral católico.
FRIDMAN, Fania. Donos do Rio em nome do rei: uma história fundiária do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar e Ed. Garamond, 1999. RODRIGUES, Claudia. Lugares dos mortos na cidade dos Vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro – século XIX. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Divisão de Editoração, 1997. MALERBA, Jurandir. A Corte No Exílio: Civilização e Poder no Brasil às Vésperas da independência (1808 a 1821). São Paulo: Companhia das das Letras, 2000.