Orientador(es): LEA VELOCINA VARGAS TIRIBA
Área temática: EDUCAÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC - AF
Os urgentes alertas do planeta, manifestados em crises climáticas, evidenciam a necessidade de resgatar saberes abandonados. É crucial abrir espaço para outros modos de existência, superando a ruptura com a natureza. Para isso, devemos romper com paradigmas eurocêntricos e valorizar a herança ancestral, compreendendo as múltiplas formas de habitar o mundo em conexão com a natureza, especialmente desde a infância. Esta abordagem é fundamental na luta contra a colonização dos saberes e currículos. O objetivo deste trabalho é analisar práticas educativas decoloniais que fortalecem o vínculo entre seres humanos e natureza. A pesquisa foca no trabalho com o povo Tupinambá de Olivença, que há dez anos implementa uma educação escolar indígena significativa, resgatando e transmitindo conhecimentos ancestrais às futuras gerações. A metodologia consistiu na análise de material fotográfico e videográfico do Gitaka, organizado em pastas temáticas como Pescaria de Siri e Tintas naturais, práticas que são comuns no dia a dia da creche. A observação permitiu identificar o desejo da comunidade em resgatar seus saberes, como por exemplo a pescaria de siri, prática ensinada para as crianças. Todo o processo é vivido de forma lúdica, desde o momento de escolher a vara, a caminhada até a praia, as crianças acompanham os passos da pescaria atentamente. As educadoras mostram cautelosamente o local ideal para lançar o anzol, e tudo é feito como numa brincadeira. A volta para a creche com siris é alegre, e se a chuva cair, é apenas mais um motivo para alegria. A atividade é fianlizada com as crianças e educadoras partilhando a refeição que foi coletada com ajuda de todos. Esse breve relato evidencia uma relação direta com a natureza e a transmissão de práticas culturais essenciais para o povo Tupinambá de Olivença-BA. As atividades na creche revelam um trabalho promissor para a perpetuação cultural, configurando um modelo de educação infantil que privilegia saberes decoloniais e um diálogo constante com o ambiente natural, onde elementos como a chuva são ressignificados positivamente. Considera-se que a educação indígena e suas cosmovisões representam um caminho alternativo diante da crise climática. É fundamental resgatar tais saberes, preservando os povos originários, e honrar suas contribuições históricas no cuidado com a natureza. As pesquisas do Gitaka apontam para a transformação por meio de uma educação desemparedada. Como trabalho futuro, é necessário ampliar a divulgação e implementação dessas práticas, fomentando políticas públicas para que mais crianças tenham acesso a uma educação consciente e envolvida com a natureza.
CAVALIERI, L.; MELLO, T.; TIRIBA, L. Notas de uma metodologia contracolonial teórico-brincante: encontros de educadores a 'qual' distância? Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 31, n. 66, p. 173-190, 2022. DOI: https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.v31.n66. SANTOS, A. B.; PEREIRA, S. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, 2023. COHN, C. A experiência da infância e o aprendizado entre os Xikrin. In: SILVA, A. L.; NUNES, A.; MACEDO, A. V. (org.). Crianças indígenas: ensaios antropológicos. São Paulo: Global Editora, 2007. p. 117-149.