Orientador(es): JOAO MARCUS FIGUEIREDO ASSIS
Área temática: ARQUIVOLOGIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O estudo feito através da denominada Arquivologia Crítica, buscou analisar questões filosóficas, psicossociais, arquivísticas e sociológicas para entender a violência simbólica, sofrimento social e memórias insubmissas. Buscou ainda, entender os reflexos negativos dos documentos, quando ligados ao questionamento sobre o papel dos arquivos no processo de acolha a pessoas em situação de refúgio ou de imigração. Para além desses elementos, buscou-se entender como as instituições, inclusive as de arquivo, podem ser geradoras desse sofrimento e produtoras de violência simbólica, por meio da burocracia. Durante as pesquisas feitas, todas conduziam ao mesmo denominador comum, o Estado. Diversas formas de controle são criadas e reformuladas por meio da burocracia. Parte delas de fato apresentam pontos positivos. Porém outros aspectos colaboram para que se estenda uma estrutura não decolonial dentro das instituições em geral. Os arquivos são essenciais para fonte de pesquisa, memória, entre outras atividades, quando necessário o contato com essas instituições. Porém, ainda falta uma arquivologia mais voltada para o pensamento decolonial, visando combater as práticas de violência contra grupos sociais que estão à margem, como mostra o tema atual do grupo de pesquisa, que estuda os refugiados e o processo de acolha dos mesmos. Quando busca-se refletir as práticas arquivísticas e analisar suas deficiências por seu modo excludente e colonial de pensar e agir, percebemos que algumas instituições de arquivo, por vezes se resumem a depósitos de informações que privilegiam apenas um grupo reduzido de pessoas frente a sociedade, ou são assim entendidas por determinados segmentos sociais. A metodologia usada no processo de montagem no trabalho foi qualitativa, com base bibliográfica, constando de 4 etapas de produção: exploratória, seletiva, analítica e interpretativa. Com essa metodologia pude entender o que eram os conceitos pesquisados e como dialogar e olhar criticamente teorias e práticas arquivísticas contemporâneas. Estudando textos, vídeos, seminários etc., pude alinhar as informações com o tema de interesse da pesquisa “arquivos, sofrimento social e memórias insubmissas” e o tema referente a imigrantes e refugiados no processo de acolha no Brasil. Os resultados de pesquisa se aproximaram de resultados parciais já trazidos antes pelo grupo de pesquisa. Porém sigo aprofundando em novas leituras para trazer novos estudos relacionados à como o processo de acolha a refugiados e imigrantes e o processo burocrático reflete em toda sua rotina e em seus documentos diariamente para qualquer atividade no meio que está inserido. Na conclusão de minha pesquisa foi dado que apesar de o Brasil ainda ser considerado um país com uma boa acolha a refugiados frente a outras nações, ainda precisamos repensar diversos fatores, sobretudo o documental e arquivístico para que se alcance um melhor desempenho frente a burocracia e a acolha de grupos que estão à margem da sociedade.
DA SILVA CATELA, Ludmila. El mundo de los archivos. Los archivos de la represión: documentos, memoria y verdad, p. 195-221, 2002. DIAZ, Pedro Vidal. Arquivos críticos experimentais: modulação, neodocumentalismo e decolonialidade. 2022. Tese de doutorado - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022. MANIMA, Benvindo. Etnografando uma Organização Humanitária: Acesso à Justiça para Refugiados e Imigrantes no Rio De Janeiro, Brasil. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2022.