Orientador(es): ALESSANDRA MENDONÇA DE ALMEIDA MACIEL
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A OMS estimou 254 milhões de pessoas vivendo com o vírus da hepatite B (HBV) em 2022 e incidência anual de 1,2 milhão de casos. No Brasil, detectaram-se 342.328 casos de hepatite B entre 2000 e 2024 e, em 2019, estimaram-se 1,1 milhão de infectados. O HBV é transmitido por via percutânea e pela exposição da mucosa a fluidos contaminados. Quanto mais precoce a infecção, maior a chance de cronificação, cujas principais complicações são cirrose e carcinoma hepatocelular. Tenofovir (TDF) é a primeira linha no tratamento do HBV, sendo suas principais metas manter a carga viral indetectável e reduzir a morbidade. O objetivo deste estudo foi descrever características demográficas, epidemiológicas, clínicas e laboratoriais de portadores de hepatite B crônica em tratamento com TDF no serviço de hepatologia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Neste estudo observacional transversal, rastrearam-se portadores de hepatite B crônica em tratamento com TDF entre janeiro/24 e janeiro/25, excluindo-se coinfectados pelo HCV. Em visita única, dados demográficos, epidemiológicos, clínicos, laboratoriais e TCLE foram coletados. Posteriormente, realizaram-se análises estatísticas: média, mediana, moda e desvio padrão (DP). Foram incluídos 23 pacientes, sendo 69,6% homens (p=0,061). A média de idade destes foi de 56,3 anos (DP ±12,98) e 50% deles tinham <54 anos; entre as mulheres, a média etária foi de 55,3 anos (DP ±10,78) e 50% delas tinham <55 anos (p=0,856). 25% dos homens se autodeclararam brancos e 75% pretos ou pardos; 100% das mulheres autoafirmaram-se pretas ou pardas. O diagnóstico ocorreu entre 1985-1999 em 17,4% dos pacientes; 2000-2014 em 65,2%; 2015-2025 em 17,4%. A média de tempo de diagnóstico do HBV nos homens foi de 19,1 anos (DP ± 8,5) e 50% deles convivem há mais de 17,5 anos com a doença; entre as mulheres, essa média foi de 18 anos (DP ± 7,37) e 50% convivem há pelo menos 22 anos (p=0,739). O tempo médio de tratamento com TDF foi de 9,9 anos entre homens e 9,3 entre mulheres (p=0,634). Entre as comorbidades, HAS foi a mais prevalente (46,2% dos homens; 23,1% das mulheres), dislipidemia foi exclusiva dos homens (16,7%) e doenças osteometabólicas das mulheres (16,7%). A função hepática foi estimada pela albumina sérica (>3,5g/dL em 100% dos pacientes) e pelo INR (entre 0,8 e 1,2 em 79% dos pacientes). A função renal foi avaliada pela taxa de filtração glomerular (TFG) calculada pelo CKD-EPI: TFG>90 mL/min/1,73m² em 25% dos pacientes e <60mL/min/1,73m² em 4%. A carga viral foi indetectável em 90% dos casos; média de 2320 UI/mL quando presente. Cirrose não foi identificada nas mulheres, mas foi em 30,77% dos homens, representando 20% da amostra. Nessa casuística, assim como na literatura, houve predomínio de homens de meia idade. Apesar do longo tempo de infecção, o TDF demonstrou segurança e eficácia satisfatórias, evidentes pelo perfil de doença hepática compensada, carga viral indetectável e função renal normal na maioria dos indivíduos.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais - Número Especial. [julho de 2025]. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2025/boletim_especial_hv_2025.pdf. Acesso em 18/08/2025 CORNBERG, Markus et al. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of hepatitis B virus infection. Journal of Hepatology, 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite B e Coinfecções – Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_diretrizes_terapeuticas_hepbdigital.pdf. Acesso em 24/06/2024.