Orientador(es): KARINA DOS SANTOS, JOSÉ GUILHERME DE SANTANA SANTOS, FELIPE RABELO COSTA, KATHERINE BITTENCOURT MENDES LEITÃO DE JESUS, ANA SOPHIA SOARES PESSOA NOBRE DE LACERDA
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O período pós-parto representa um momento crítico para a saúde materna, sendo frequentemente marcado pela dificuldade em retornar ao peso pré-gestacional e pelo risco de desenvolvimento de obesidade e complicações metabólicas futuras. Entre os fatores que podem influenciar a retenção de peso pós-parto (RPPP), destacam-se o aleitamento materno, o ganho de peso gestacional (GPG) e a via de parto. Nesse contexto, compreender esses determinantes em mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para orientar estratégias de cuidado nutricional e prevenção de doenças crônicas. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a relação entre aleitamento materno, via de parto e retenção de peso pós-parto. Trata-se de um estudo observacional transversal, realizado no período de março de 2024 a junho de 2025, incluindo mulheres adultas no primeiro ano pós-parto. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário específico, contemplando informações sociodemográficas, clínicas, obstétricas e antropométricas, além de registros sobre amamentação. A análise estatística utilizou medidas de tendência central, comparações de medianas e frequências e regressão linear múltipla, por meio do software SPSS versão 25, adotando significância estatística para p< 0,05. O projeto obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa - CEP/HUGG, sob número de parecer 6.273.645, CAAE 70713423.8.0000.5258. A mediana de idade das 132 participantes foi de 28 anos [IIQ 20,0 - 44,0], 59% e 69,8% apresentavam excesso de peso pré-gestacional e no período pós-parto, respectivamente. A prevalência de RPPP foi de 61,8%, com mediana de 5,95 kg [ IIQ 3,0 - 10,75]. Observou-se que mulheres que amamentaram apresentaram menor retenção de peso em comparação àquelas que não amamentaram (5 kg [IIQ 3,0 - 9,25] vs. 9 kg [IIQ 7,0 - 21,0], p= 0,013). As mulheres que amamentaram por algum período apresentaram uma redução média de 3,71 kg na RPPP quando comparadas àquelas que não amamentaram (ß ajustado = - 3,71; p=0,030). Ainda, cada acréscimo de 1 kg no GPG foi associado ao aumento de 496 gramas de RPPP (ß ajustado = - 0,496; p<0,001). Não foi encontrada associação entre o tipo de parto e a RPPP (p>0,05). Os resultados indicam que o aleitamento materno desempenha papel protetor contra a retenção de peso pós-parto, enquanto o GPG excessivo constitui fator de risco relevante, reforçando a importância do acompanhamento nutricional contínuo desde o pré-natal. Conclui-se que o fortalecimento de estratégias voltadas à promoção da amamentação e ao monitoramento do ganho ponderal gestacional deve ser prioridade no âmbito do SUS, com vistas à prevenção da obesidade materna e à melhoria da saúde materno-infantil. Como trabalhos futuros, sugere-se a ampliação da coleta de dados longitudinais, a inclusão de variáveis relacionadas aos hábitos alimentares e a avaliação do impacto de intervenções nutricionais específicas sobre a recuperação ponderal no pós-parto.
VINCZE, L.; ROLLO, M.; HUTCHESSON, M.; et al. Interventions including a nutrition component aimed at managing gestational weight gain or postpartum weight retention: a systematic review and meta-analysis. *JBI Database of Systematic Reviews and Implementation Reports*, v. 17, n. 3, p. 297-364, 2019. LOY, S. L.; et al. Breastfeeding Practices and Postpartum Weight Retention: Findings from the CRADLE Trial, Singapore. *Nutrients*, v. 16, n. 13, 2172, 2024.