Orientador(es): MARCIA REGINA ROMEIRO CHUVA
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Ao longo da universidade fiz parte de uma iniciação científica cujo foco foi o estudo de participantes latino-americanos na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Dentro desse tema, a participação de brasileiros no setor cultural da organização foi o objeto central das pesquisas, durante o período como bolsista. A pesquisa identificou diversos indivíduos e relações entre agentes da UNESCO e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como exposto em apresentações na Jornada de Iniciação Científica da UNIRIO. Brasileiros atuantes no órgão internacional mantinham contatos frequentes com funcionários do Instituto, organizando viagens e facilitando conexões. Em diálogo com estudos anteriores, este projeto analisou o protagonismo e a relação do IPHAN com a UNESCO na eleição e nomeação de Ouro Preto como Patrimônio Mundial da UNESCO nos anos 1980. O objetivo principal foi compreender como o discurso do desenvolvimento por meio do turismo foi incorporado às políticas de proteção do patrimônio pelo IPHAN, contribuindo para os debates na área. A fontes utilizadas foram ofícios, cartas trocadas entre agentes da UNESCO e do IPHAN e outros documentos do período pertencentes ao Arquivo Central do IPHAN, no Rio de Janeiro. A escolha desses documentos relaciona-se à familiaridade com o acervo adquirida durante o período de iniciação científica. A metodologia da pesquisa baseou-se na análise sistemática dos documentos selecionados, trocados entre os dois órgãos nas décadas de 1970 e 80. As principais atividades realizadas foram o levantamento e leitura de bibliografia, busca e tratamento de fontes e elaboração do projeto e escrita do TCC. O levantamento bibliográfico procurou trabalhos sobre o conceito de “patrimônio universal”, relações entre IPHAN e UNESCO e o processo de eleição de Ouro Preto como primeira inscrição brasileira na lista. As pesquisas foram realizadas em plataformas como o portal de periódicos da CAPES, Google Acadêmico e Academia.edu. A busca por novas fontes visou localizar comunicações entre o Instituto e a organização internacional. Essa busca foi realizada no Arquivo Central do IPHAN, no próprio site da UNESCO que sistematiza vários documentos digitalizados e no PUBLICOMOS, site do arquivo do ICOMOS que sistematiza documentações do órgão. O levantamento bibliográfico revelou um debate consistente entre estudiosos brasileiros, permitindo que a pesquisa dialogasse com as discussões sobre o valor “universal” do patrimônio e seu uso como ferramenta de desenvolvimento. Quanto às fontes, é possível destacar a articulação entre funcionários do Instituto para promover a cidade de Ouro Preto à Patrimônio Mundial na organização internacional. O levantamento e a análise das fontes encontradas serão aprofundados na monografia para conclusão do curso, que se enquadra no campo discutido neste trabalho.
AGUIAR, L. Turismo e preservação nos sítios urbanos brasileiros: o caso de Ouro Preto. 323 f. Tese (Doutorado em História) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2006. CHUVA, M. Os arquitetos da memória: sociogênese das práticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil (anos 1930-1940). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2017. MACHADO, J. Feito em casa: o IPHAN e a cooperação internacional