Orientador(es): MARCELO CASTANHEIRA FERREIRA
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O envelhecimento populacional desafia a saúde pública, exigindo atenção ao estado nutricional em instituições de longa permanência para idosos (ILPI). Este estudo avaliou o perfil antropométrico, clínico e a oferta dietética a residentes de ILPI. Trata-se de estudo exploratório, quantitativo e transversal, realizado no primeiro semestre de 2025 em duas ILPI particulares em Bangu, zona oeste do município do Rio de Janeiro. Dados obtidos dos prontuários incluíram: idade, tempo de institucionalização, comorbidades e número de medicamentos. Para a avaliação antropométrica utilizou-se: índice de massa corporal (IMC <22,0 e >27,0 kg/m²); perímetros de panturrilha (PP) (<31,0 cm) e muscular braquial (PMB), calculado a partir do perímetro braquial e da dobra cutânea tricipital. O gasto energético em repouso (GER) foi estimado pelas fórmulas da FAO/OMS, com base no peso teórico (mediana de altura2 x 24,5); e o GET foi calculado com fator atividade 1,3 (idosos deambulantes). A oferta nutricional foi avaliada por estatísticas descritivas de cinco dias do cardápio mensal. A prevalência dos desvios antropométricos, segundo variáveis independentes, foi analisada pelo Teste Exato de Fisher. Participaram do estudo 19 mulheres e 15 homens, com medianas de idade de 86 e 79 anos, respectivamente; a maioria (44%) residia na ILPI há até dois anos. Entre os achados clínicos, 64% tinham hipertensão, 36% diabetes, 18% sequelas de AVC, 40% algum tipo de demência e 12% doenças psiquiátricas. 30% faziam uso de 11 ou mais medicamentos. Segundo o IMC, 43% estavam abaixo do peso e 34% com excesso. Classificou-se 45% dos idosos com declínio de massa muscular (PP), enquanto o PMB indicou desnutrição em 46%. O declínio de PP foi mais prevalente entre mulheres (RP=2,3; p<0,05), idosos ≥85 anos (RP=2,1; p<0,1) e com Alzheimer (RP=2,5; p<0,01), enquanto a desnutrição pelo PMB se associou a outras demências (RP=2,1; p<0,1). O GET estimado foi de 1560 Kcal para mulheres e 1840 kcal para homens. A média de calorias ofertadas foi mais robusta (2300±95 Kcal), possivelmente justificada pela presença de fatores que contribuem para perdas nutricionais e fragilidade do idoso. O aporte energético proveniente dos carboidratos foi de 64,2%(±3,4); lipídeos de 17,8% (±3,3); e proteínas de 18,0% (±2,6), valores próximos de limites aceitáveis, segundo a OMS (2003). A relação Kcal não-proteicas / g de nitrogênio foi igual a 114,6, contribuindo para maior biodisponibilidade do aminoácido da dieta e menor perda por catabolismo muscular. Este diagnóstico coletivo contribui para subsidiar a atuação dos profissionais de saúde nas ILPI, especialmente nutricionistas. O mesmo pode ser incrementado com observações de aceitação dos idosos. Destaca-se, ainda, a dificuldade de acesso a equações preditivas atualizadas para estimar necessidades energéticas em idosos institucionalizados e o desafio de se alinhar a oferta alimentar ao estado nutricional, marcado por altos índices de desnutrição.
FRÓES, Jéssica Ágda do Carmo. Gasto energético de repouso em idosos longevos saudáveis: fatores associados e uso de fórmulas preditivas. 2023. 149 f. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Saúde) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Enfermagem, Belo Horizonte, 2023. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1567758. Acesso em: 21 set. 2025 NORONHA, José Carvalho de; GRAEVER, Leonardo; GADELHA, Paulo (orgs.). Doenças crônicas e longevidade: desafios para o futuro. Rio de Janeiro: Edições Livres; Fiocruz, 2023. Disponível em: https://portolivre.fiocruz.br/doencas-cronicas-e-longevidade-desafios-para-o-futuro. Acesso em: 21 set. 2025. World Health Organization/Food and Agriculture Organization. Diet, nutrition and prevention of chronic diseases. Geneva, Report of the joint WHO/FAO expert consultation. Technical Report Series, 916, 2003.