Orientador(es): PAULO HENRIQUE GODOY
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Contexto: A insônia e a apneia obstrutiva do sono (AOS) são os distúrbios do sono mais prevalentes na população [1]. A identificação da coexistência desses distúrbios, conhecida como COMISA, foi tardia, devido a concepções históricas distintas: AOS associada a homens com sobrepeso, ronco e sonolência diurna [2], enquanto a insônia mais vinculada a mulheres com predisposição à ansiedade e dificuldade para dormir [3]. Assim, descrever o perfil clínico de indivíduos com COMISA pode contribuir para diagnósticos adequados e condutas terapêuticas específicas. Objetivo: Estimar a prevalência de COMISA e analisar o perfil clínico e polissonográfico desses indivíduos em comparação àqueles com apenas insônia ou AOS, atendidos em um hospital universitário. Metodologia: Estudo transversal, com alocação prospectiva e amostragem por conveniência. Foram incluídos indivíduos ≥18 anos com queixas relacionadas ao sono, encaminhados ao Ambulatório do Sono do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Foram excluídos pacientes com diagnóstico prévio ou em tratamento para AOS, insônia ou COMISA, além de incapazes de responder aos instrumentos de avaliação. Os dados sociodemográficos, clínicos e os resultados da polissonografia tipo I (PSG) foram coletados. A amostra foi estratificada em dois grupos: 1) COMISA (coexistência de insônia e AOS); 2) SEM COMISA (insônia ou AOS isoladamente), conforme os critérios da International Classification of Sleep Disorders – 3ª edição (ICSD-3). As análises estatísticas foram realizadas com o software R (versão 2021.09.2), utilizando Teste Qui-quadrado para variáveis qualitativas e Wilcoxon para quantitativas, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: A amostra foi composta por 127 indivíduos e a prevalência de COMISA foi 41,73%. O sexo masculino predominou no grupo COMISA, enquanto o feminino no SEM COMISA. A mediana da idade foi maior no COMISA (52 x 49 anos), que apresentou associação com ronco, alterações de humor, maior índice de massa corporal, circunferências cervical, abdominal e do quadril. A PSG, também, mostrou maior gravidade nesse grupo, com piores índices de saturação mínima de oxigênio, maior número de dessaturações, despertares, eventos de apneia e hipopneia. Apesar da associação com alterações de humor, não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos quanto à depressão ou ansiedade. Também, não houve associação significativa com queixas de sonolência diurna, esquecimentos ou alterações cognitivas — possivelmente devido à predominância de indivíduos com menos de 60 anos e ao tamanho da amostra. Considerações: A prevalência de COMISA foi relevante, indicando importância de maior atenção clínica a esse diagnóstico. Os achados sugerem que indivíduos com COMISA compartilham características clínicas com aqueles que apresentam apenas AOS, porém com indicadores de maior gravidade. Isso reforça a necessidade de uma abordagem diagnóstica e terapêutica integrada e personalizada para esses indivíduos.
1. ITO, E.; INOUE, Y. [The International Classification of Sleep Disorders, third edition. American Academy of Sleep Medicine. Includes bibliographies and index]. PubMed, v. 73, n. 6, p. 916–23, 1 jun. 2015. 2. SAARESRANTA, T. et al. Clinical Phenotypes and Comorbidity in European Sleep Apnoea Patients. PLOS ONE, v. 11, n. 10, p. e0163439, 4 out. 2016. 3. OHAYON, M. M. Epidemiology of insomnia: what we know and what we still need to learn. Sleep Medicine Reviews, v. 6, n. 2, p. 97–111, maio 2002.