Orientador(es): DÉBORA PETRUNGARO MIGUEIS, PAULO HENRIQUE GODOY
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Contexto: A disfunção olfatória (DO) compromete o reconhecimento de odores essenciais para a qualidade de vida e segurança humana (BINAR, 2021). Ela pode ser classificada em alterações quantitativas (redução do limiar) ou qualitativas (dificuldade na identificação de odores). A apneia obstrutiva do sono (AOS), distúrbio prevalente, é caracterizada por obstruções recorrentes das vias aéreas superiores durante o sono, associando-se a diversas comorbidades (PATEL, 2019). Uma metanálise demonstrou pior desempenho olfatório na AOS (IANELLA, 2020). Objetivo: Estimar a prevalência de DO e investigar sua associação com AOS, variáveis sociodemográficas, antropométricas, cognitivas, polissonográficas, ansiedade e depressão. Metodologia: Estudo transversal, com alocação prospectiva, realizado no Ambulatório do Sono do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Foram incluídos indivíduos entre 18 e 65 anos. Excluiu-se aqueles com história de infecção de vias aéreas superiores nos últimos 30 dias; traumatismo cranioencefálico; tabagismo; tratamento prévio para AOS; rinossinusite crônica e doenças neurológicas e infecciosas que cursem com DO. Foram coletados dados clínicos, antropométricos e aplicou-se a Escala de Sonolência de Epworth, Mini Exame do Estado Mental, Índice de Depressão e Ansiedade de Beck. A função olfatória foi avaliada com o Teste de Olfato de Connecticut (CCCRC) e definida como DO com escore <6. Também, investigou-se as subcategorias disfunção do limiar olfatório (DLO) e disfunção da identificação olfatória (DIO). A polissonografia tipo I foi realizada para diagnóstico de AOS, definido por Índice Apneia-Hipopneia (IAH) >15. Para análises estatísticas utilizou-se os testes de Pearson, Wilcoxon e Fischer, no programa R. Foi considerado nível de significância de 5%. Resultados: Foram incluídos 90 pacientes, 61,1% do sexo feminino, com mediana da idade de 52 anos. A prevalência da DO foi 48,8% e da AOS, 77,7%. Entre os pacientes com AOS, 51% apresentavam DO, contra 40% entre os sem AOS (p=0,4). As prevalências de DLO e DIO foram de 48,8% e 38,8%, respectivamente, também sem associação com AOS. Observou-se correlação negativa não significativa entre IAH e escore total do CCCRC (r=-0,15; p=0,16). Entretanto, foi identificada correlação positiva entre CCCRC e saturação mínima de O₂ (r=0,25; p=0,016). Os pacientes com DO eram mais idosos, tinham maior frequência de comprometimento cognitivo (p=0,026) e diabetes tipo 2 (p=0,046). Considerações: A DO apresentou alta prevalência, sem associação com AOS, possivelmente devido à alta frequência de AOS na amostra. A correlação entre saturação mínima de oxigênio e escore olfatório sugere o papel da hipóxia intermitente na disfunção olfatória. Os achados destacam a importância do rastreio olfatório em pacientes com AOS, sobretudo idosos, com diabetes e déficit cognitivo. O CCCRC mostrou-se uma ferramenta viável na prática clínica, embora dificulte comparações com estudos que utilizam outros métodos.
BINAR, M.; GOKGOZ, Mert C.. Olfactory function in patients with obstructive sleep apnea and the effect of positive airway pressure treatment: a systematic review and meta-analysis. Sleep and Breathing, 2021. PATEL, Sanjay R. Obstructive Sleep Apnea. Annals of Internal Medicine, v. 171, n. 11, p. ITC81–ITC96, 2019. IANNELLA, G.; MAGLIULO, G.; MANIACI, A.; et al. Olfactory function in patients with obstructive sleep apnea: a meta-analysis study. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology, v. 278, n. 3, p. 883–891, 2020.