TENDÊNCIA DA MORTALIDADE COM MENÇÃO À OBESIDADE NO BRASIL, DE 2000 A 2019: ANÁLISE REGIONAL E TEMPORAL

ALEXANDRE AKIO MAJIMA, PAULA FELIX VIANA PEREIRA

Apresentador(es): ALEXANDRE AKIO MAJIMA

Orientador(es): LETÍCIA MARTINS RAPOSO, PAULO HENRIQUE GODOY


Área temática: MEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC - AF


Resumo

Contexto: No Brasil e no mundo, a prevalência de obesidade tem sofrido aumento notável associado ao estilo de vida atual da sociedade e se destaca como um fator de risco para mortalidade geral, pela influência que possui sobre doenças crônicas (AMANN; SANTOS; GIGANTE, 2019; MALTA et al., 2019). Objetivo: Analisar a tendência da mortalidade, cujos óbitos tiveram menção por obesidade, no Brasil, regiões e Unidades da Federação (UF), no período de 2000 a 2019. Metodologia: Estudo ecológico sobre óbitos com menção à obesidade registrados como causa básica ou menções nas linhas A, B, C, D ou linha II, nas bases de dados individuais do Sistema de Informação sobre Mortalidade, no Brasil, entre 2000 e 2019. A obesidade foi identificada pelo CID-10, E66, e incluiu as subcategorias: E66.0, E66.1, E66.2, E66.8 e E66.9. As variáveis analisadas foram sexo, local de óbito por regiões e UF além do ano de ocorrência. A análise foi composta por frequência absoluta, percentuais e estimativas das taxas de mortalidade brutas e padronizadas por 100.000 habitantes, segundo faixa etária para o Brasil, regiões e UF. Aplicou-se o modelo de regressão por pontos de inflexão, o Joinpoint Regression Model, para a análise da tendência dos óbitos por menção à obesidade pela variação percentual anual média (average annual percent change [AAPC]) e variação percentual anual (annual percent change [APC]). As análises estatísticas foram realizadas pelo software estatístico R e JoinPoint com nível significância de 5%. Resultados: No Brasil, entre 2000 e 2019, foram registrados 133.116 óbitos com menção à obesidade, mais frequentes no sexo feminino (64,9%). No país, a AAPC foi 5,45 ao ano para homens e 3,87 para mulheres. Em geral, todas as AAPC por região e UF apresentaram característica crescente, com exceção do Rio Grande do Norte e Distrito Federal nos homens, que foram constantes. Para ambos os sexos, a AAPC foi maior nas UF do Nordeste e Norte, e menor no Sul e Sudeste. Quanto à APC, no Brasil, três períodos demonstraram significância no sexo masculino, todos com valores positivos: 7,46 de 2000 a 2009; 2,68 de 2009 a 2016; e 5,98 de 2016 a 2019. No sexo feminino, observaram-se dois períodos significativos, de 2000 a 2009 (APC 6,64) e de 2009 a 2019 (APC 1,43). Nas regiões, o Norte apresentou a maior APC de 11,43 de 2000 a 2011 nos homens e de 13,37 de 2000 a 2010 nas mulheres. O Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram as únicas regiões com APC maior que 10. Não foram registrados valores de APC negativos de significância estatística por região ou UF. Verificou-se crescimento para a maioria dos períodos e poucos períodos constantes. Considerações: A tendência crescente da mortalidade com menção à obesidade observada para o país, regiões e maioria das UF, em ambos os sexos, reflete o aumento da prevalência desse agravo. Esse desfecho impõe desafios à saúde pública e exige políticas que considerem a diversidade socioeconômica, cultural e ambiental dos territórios brasileiros.

Bibliografia

AMANN, V. R.; SANTOS, L. P.; GIGANTE, D. P. Associação entre excesso de peso e obesidade e mortalidade em capitais brasileiras e províncias argentinas. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 12, p. e00192518, 2019. MALTA, D. C. et al. Tendência temporal da prevalência de obesidade mórbida na população adulta brasileira entre os anos de 2006 e 2017. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 9, p. e00223518, 2019.

Palavras-chave

Obesidade Mortalidade Atestado de Óbito Brasil
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