Orientador(es): CAMILA MAISTRO PATREZE
Área temática: BIODIVERSIDADE
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
A extração ilegal de madeira no Brasil representa um grande impacto ambiental. A técnica de biologia molecular vegetal conhecida como DNA barcoding é uma das ferramentas a ser desenvolvida para auxiliar na rastreabilidade da origem de madeiras, permitindo a identificação de espécies ou até a localização de populações em áreas geográficas distintas. No entanto, a aplicação do DNA barcoding em amostras de madeira é complexa, dada a sua alta suscetibilidade à contaminação, a degradação do material genético devido ao tempo e à exposição ambiental, e a presença de compostos secundários que podem inibir reações enzimáticas essenciais. O objetivo do trabalho foi isolar o DNA de três diferentes espécies arbóreas vegetais: Handroanthus serratifolius (Vahl) S.O.Grose (ipê amarelo), Hymenaea courbaril L. (jatobá) e Eschweilera coriacea (DC.) S.A.Mori (matá-matá), e amplificar diferentes regiões conhecidas como DNA barcoding usando primers universais. Para a extração do DNA foi utilizado o método CTAB, a partir da moagem de amostras de madeira in natura. Foram realizadas reações de PCR empregando diferentes primers e as enzimas: AccuPrime, ZymoTaq Pre Mix e GoTaq Flexi DNA Polymerase sob variadas condições, com os produtos analisados por eletroforese em gel de agarose, usando tanto amostras de DNA diretamente quanto amostras purificadas. Os primers utilizados foram: psbA-trnH; ITS; rbcL e matK. As extrações de DNA envolveram 5 amostras de ipê, 1 amostra de jatobá e 24 amostras de matá-matá e renderam respectivamente para as três espécies valores de 114,1 a 388,5 ng/ul, 284 ng/ul e de 13,5 a 164,1 ng/ul, medidos em Nanodrop®, com a presença de contaminantes como demonstrado pelas razões de A260/A280 e A260/A230. Os resultados das eletroforeses indicaram que não houve amplificação e, portanto, não foi possível analisar as sequencias dessas regiões. Para o ipê, consideramos que a qualidade do DNA da madeira foi o principal fator uma vez que os mesmos primers foram previamente empregados em amostras de caule frescas de ipê em nosso laboratório. Já para Hymenaea courbaril e Eschweilera coriacea, além da qualidade do DNA, o insucesso na amplificação pode estar relacionado aos primers utilizados, e assim, podendo ser testadas novas combinações e regiões. Apesar da não obtenção de amplificação, a experiência proporcionou uma imersão metodológica valiosa em genética forense vegetal. As limitações observadas destacam a necessidade de estratégias complementares e aprimoradas, como a utilização de outros conjuntos de primers, ou mesmo o desenvolvimento de primers específicos além do desenvolvimento de protocolos de purificação mais eficazes para remover inibidores.
DE LIMA, R A; DE OLIVEIRA, F. A. A.; COLLETTA, G.D.; FLORES, TB; COELHO, RLG; DIAS, P.; FREY, G.P.; IRIBAR, A.; RODRIGUES, R.R.; SOUZA VC; CHAVE J. Can plant DNA barcoding be implemented in species-rich tropical regions? A perspective from São Paulo State, Brazil. Genetics and Molecular Biology, 41, 3, 661-670, 2018. DUNNING, LT and SAVOLAINEN, V. Broad‐scale amplification of matK for DNA barcoding plants, a technical note. Bot J Linn Soc 164:1-9, 2010. FURTADO FILHO, J.C., et al. Comparação de métodos de isolamento do DNA em Handroanthus serratifolius. Brazilian Journal of Development, 7(4), 35765-35779, 2021. https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-168