Orientador(es): DAVI DA SILVEIRA BARROSO ALVES, DANIELLE MOREIRA MARQUES
Área temática: ENFERMAGEM
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
O delirium, distúrbio neuropsiquiátrico agudo, com episódios no pós-operatório entre 17-61% dos principais procedimentos cirúrgicos, está associado a piores desfechos hospitalares, além de risco aumentado de morte e piora da qualidade de vida. Intervenções pós-episódio inicial demonstram ser pouco efetivas no manejo da situação de gravidade, de forma que a identificação dos fatores que influenciam o tempo até a ocorrência do DPO possibilitam intervenções precoces, melhorando resultados clínicos e prognóstico dos pacientes, uma vez que o distúrbio é considerado evitável em 30-40% dos casos. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados ao tempo até a ocorrência de delirium pós-operatório em pacientes internados em unidade intensiva-cirúrgica de um hospital universitário do Rio de Janeiro. Trata-se de um estudo longitudinal, quantitativo, realizado com 116 indivíduos internados entre janeiro e julho de 2022, tendo como variáveis as características demográficas, histórico clínico, informações cirúrgicas e dados da internação dos pacientes. O desfecho foi a ocorrência de delirium, avaliada pelo Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit (CAM-ICU). Para identificar os fatores associados que influenciam o tempo até a ocorrência do desfecho, utilizou-se o gráfico de Kaplan-Meier e o teste Log-Rank, enquanto a Razão de Risco (Hazard Ratio – HR), foi estimada pelo modelo de Cox, adotando significância de 5%. Todas as análises foram realizadas no software R. Constatou-se que a transfusão sanguínea durante a cirurgia, porte da cirurgia, faixa etária, uso de anti-inflamatórios e uso de sedativos influenciam significativamente o tempo de sobrevida (Log-Rank p<0,05). Na regressão simples, observou-se efeito significativo da transfusão sanguínea (HR: 2,84; IC95% 1,25-6,45), do não uso de anti-inflamatórios (HR: 3,32; IC95% 1,02-10,80), não uso de sedativos (HR: 2,12; IC95% 1,05-4,25), faixa etária idosa (HR: 2,28; IC95% 1,14-4,57), hipertensão não medicada (HR: 2,62; IC95% 1,05-6,55) e maior porte da cirurgia (HR: 2,52; IC95% 1,30-4,89) no risco de delirium. No modelo múltiplo, permaneceram significativas o uso de transfusão sanguínea, que aumenta em 141% o risco de delirium (HR: 2,41; IC95% 1,03-5,61), cirurgia de maior porte, que eleva o risco em 127% (HR: 2,27; IC95% 1,15-4,47) e a cirurgia de urgência que esteve associado a um risco de delirium 3,09 vezes maior (HR: 3,09; IC95% 1,07-8,89). Esses achados são corroborados pela literatura ao destacar o manejo intraoperatório como preditor significativo para o desenvolvimento de delirium. Caracterizados por fatores potencialmente modificáveis, representam pontos estratégicos de intervenção, com impacto direto no tempo até a ocorrência do desfecho, sendo essenciais para a formulação de protocolos voltados à redução da sua incidência, à melhoria dos resultados clínicos e ao aumento da qualidade de vida do paciente no período pós-operatório.
JANSSEN, T. L.; ALBERTS, A. L.; CASCO, L.; MATTACE-RASO, F. U. S.; MOSCOU, C. A.; VAN DER LAAN, L. Prevention of postoperative delirium in elderly patients planned for elective surgery: a systematic review and meta-analysis. Clinical Interventions in Aging, v. 14, p. 1095–1117, 2019. SUSANO, M. J.; VASCONCELOS, L.; LEMOS, T.; AMORIM, P.; ABELHA, F. J. Distúrbios cognitivos adversos no pós-operatório: uma pesquisa nacional de anestesiologistas portugueses. Brazilian Journal of Anesthesiology, v. 68, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.bjane.2018.03.001. MARQUES, D. M.; VERNAGLIA, T. V. C.; ALVES, D. S. B.; DA SILVA, V. B.; MAIA, E. R.; PINTO, L. O. A. M. F. Fatores predisponentes e precipitantes para a ocorrência de delirium pós-operatório em adultos críticos: um protocolo para revisão de escopo. 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1518-8345.7113.4233