Orientador(es): RODRIGO TURIN
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Este trabalho foi desenvolvido a partir da noção de que o deterioramento das condições climáticas e ambientais no geral impacta profundamente a maneira como podemos enxergar a história e percebermos o tempo ao nosso redor, seja o passado, o presente ou mesmo futuro. Com isso, novas formas de temporalidade e regimes de historicidade podem vir a surgir, abarcando essa nova realidade. O objetivo da pesquisa, a partir dessa ideia, foi investigar o discurso ambientalista de um grupo da sociedade civil brasileira que se nomeia como “Árvore do Futuro” e que tipo de temporalidade ele propõe. Para isso, foi realizado o levantamento de postagens e vídeos produzidos pelo grupo, analisando o conteúdo deles, em redes sociais, principalmente Instagram e Youtube, em que eles tinham um maior volume de postagens. Nesses posts e vídeos deveria ser procurado o tipo de percepção temporal e histórica que eles construíam e utilizavam para embasar seus argumentos. Além disso, procurou-se caracterizar o grupo ao se investigar que tipo de pessoas compunham ele, quem o fundou e com que objetivo, visto que qualquer discurso parte de um lugar e quem escreve sobre história seleciona o que será dito e afirmado conforme seus próprios interesses e o tempo histórico ao qual está inserido. Foi realizada ainda uma pesquisa bibliográfica para se conseguir interpretar os dados obtidas a luz de pesquisas e interpretações acadêmicas já existentes. Como resultado, o Árvore do Futuro se caracterizou como um Think-Tank ambientalista neoliberal fundado por Leandro Narloch, autor também do livro Guia politicamente incorreto da história do Brasil, sendo formado por empresários, jornalistas, cientistas, engenheiros e outros que se inspiraram no Manifesto Eco Modernista escrito nos EUA pelo Breakthrough Institute em 2015. Sua atuação começa em 2019 e perdura até 2025, continuando como um grupo ativo. Suas postagens têm como objetivo influenciar o debate público na sociedade e no ambiente governamental tendo em vista o aceleramento do desenvolvimento econômico e tecnológico, pensado por eles como a única forma de se superar a miséria e a questão ambiental. Novas tecnologias para eles significam novas maneiras de produzir mais com menos, reduzindo a dependência em relação a natureza. Esse aceleramento só é possível ao se permitir que a iniciativa privada e o mercado atuem livres para inovarem sem intervenção do governo na economia. Provam esses argumentos ao apontaram a tecnologia como o motor da história que promoveu bem-estar, sendo ela desenvolvida por entes privados e acelerada conforme o desenvolvimento do capitalismo livre da ação interventora do Estado. A partir dessa pesquisa se percebeu a constante reinvenção do discurso capitalista, a organização de seus adeptos em redes sociais e o uso importante da história como ferramenta de legitimação política. Trabalhos futuros podem investigar outras formas e grupos que apreendem a dimensão ambiental e sua temporalidade.
TURIN, Rodrigo. Antropoceno e futuros presentes: entre regime climático e regimes de historicidade potenciais, Topoi, n. 52, vol. 24, 2023. BUHLER, Eve-Anne, GAUTREAU, Pierre, OLIVEIRA, Valter Lúcio. (Im)Pertinências de uma abordagem teórica: a neoliberalização da natureza. Soc. Nat. Uberlândia, MG, v.32, p. 551-564, 2020, ISSN 1982-4513. ROCHA, Camila. O papel dos Think Tanks pró-mercado na difusão do Neoliberalismo no Brasil.MILLCAYAC - Revista Digital de Ciencias Sociales / Vol. IV / N° 7 / 2017. ISSN: 2362-616x. (pp. 95-120)