Orientador(es): CARMEN IRENE CORREIA DE OLIVEIRA
Área temática: CIÊNCIAS SOCIAIS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: Discente de iniciação científica sem bolsa
Este trabalho explora a ficção científica, com foco na representação negra, questionando a posição racial desse indivíduo e como a questão racial transita do mundo real para a ficção. Ytasha Womack aponta a dificuldade em imaginar futuros com pessoas de descendência não europeia. Acrescento que essa dificuldade se estende à visualização de um futuro positivo e sem subserviência para pessoas de descendência não europeia e anglo-saxônica. Como análise, utilizamos o filme “Corra!” de Jordan Peele, que narra a visita de um jovem negro à família de sua namorada branca, culminando em um pesadelo. Esse pesadelo ia além do desconforto de ser o único negro fora da posição de empregado, envolvendo experimentos com corpos negros, transformados em objetos de uso para brancos, por motivos como supostas qualidades físicas ou vaidade, o que já levanta a questão sobre a construção e o reforço de estereótipos na produção cinematográfica. A presença negra na ficção não deve ser uma negociação em torno de estereótipos. Falar sobre a representação negra na ficção científica também é um meio de desconstruir esses estereótipos. Em “Corra!”, o corpo negro é utilizado pela consciência de um indivíduo branco falecido, reduzindo a consciência original e tornando o corpo um mero receptáculo, caracterizando desumanização e apagamento da história, sentimentos e vontade do verdadeiro dono do corpo. O objetivo principal da pesquisa é investigar as representações das relações étnico-raciais na ficção científica, focando na relação entre corpos negros e tecnologia. Pretende-se: 1) analisar a desumanização de corpos negros; 2) identificar padrões narrativos e visuais que perpetuam ou desconstroem estereótipos raciais; e 3) refletir criticamente sobre a construção da identidade negra em produções fílmicas. O estudo adota uma ótica afrofuturista, que permite abordar questões sociais, cultura, história e diáspora africanas, resistência e identidade. A pesquisa combina análise teórica e fílmica, fundamentando as reflexões propostas. Baseado em estudiosos do afrofuturismo, construímos as questões centrais da pesquisa, entendendo o lugar das pessoas negras na ficção científica cinematográfica. A análise fílmica foi adotada a partir do modelo já desenvolvido pela coordenadora do projeto. Esperamos, com as análises, evidenciar temas que gerem diálogo, reflexão e aprendizado. As análises mostram como a desumanização de corpos negros representa um racismo explícito, disfarçado de positividade, reforçando estereótipos de força e resistência presentes em discursos pseudocientíficos do século XIX. Para a pesquisa, foram selecionados referenciais como Mark Dery, pioneiro no termo afrofuturismo e autor de “Black to the future”; Ytasha Womack, com suas discussões sobre afrofuturismo como gênero e ferramenta social; e Rodrigo Valverde Delubila, cujos artigos abordam os autores anteriores e temas como ancestralidade e pertencimento.
DENUBLINA Valverde Rodrigo. Ficção cientifica afrofuturista: entre ancestralidade, marginalidade, ciência e pertencimento. Itinerários Revista de Literatura. Universidade Estadual Paulista, Faculdade de ciências e Letras p.221 a 240. DERY, Mark (Org.). Flame Wars: The Discourse of Cyberculture. Durham; London: Duke University Press, 1994. WOMACK, Ytasha L. Afrofuturism: the world of black sci-fi