Orientador(es): DAVI DA SILVEIRA BARROSO ALVES
Área temática: ENFERMAGEM
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O pré-natal é um conjunto de ações diagnósticas, preventivas e curativas que garantem uma gestação, parto e puerpério saudáveis. Sua realização é crucial para prevenir e detectar agravos maternos e fetais, promovendo um desenvolvimento perinatal adequado. A inadequação desse serviço de saúde, está associada a efeitos negativos tanto para a gestante quanto para o feto. Diante disto, é essencial analisar a adequação da assistência pré-natal no Brasil, a fim analisar as desigualdades regionais no acesso e na qualidade desse acompanhamento. O objetivo do estudo é analisar a evolução da adequação do pré-natal nas Unidades da Federação do Brasil em 2013 e 2019. Trata-se de um estudo transversal descritivo, com análise comparativa de dados da PNS de 2013 (n=1.851) e 2019 (n=2.824), referentes a mulheres que realizaram pré-natal no Brasil. As variáveis analisadas referem-se aos critérios de recomendação do Ministério da Saúde para o pré-natal adequado: início precoce (≤12ª semana), número adequado de consultas (≥6), parto realizado na maternidade indicada e realização dos exames essenciais. Considerou-se adequado o pré-natal que atendeu simultaneamente a todos os critérios. A análise foi realizada por meio da distribuição percentual e dos respectivos IC95% para cada indicador, estratificado pelas unidades federativas do Brasil (UFs), considerando o desenho amostral e os pesos da PNS. As estimativas foram obtidas com o pacote survey e a figura para visualização dos resultados por UF foi obtida com o pacote geofacet do software R. A adequação da assistência pré-natal foi baixa no país em ambos os anos (29,56% e 46,09%) e a prevalência dos indicadores de adequação foram mais baixas nas UFs do Norte e Nordeste, embora estas tenham apresentado os maiores aumentos percentuais no período. Entre os componentes de adequação mais prevalentes em ambos os anos e na maioria das UFs, estão o número mínimo de consultas (83,7% e 88,5%) e o início precoce (83,7% e 88,2%), com destaque para o avanço desses indicadores no MA, PA, AM, PI, AL, BA, TO e RR. A realização de exames foi o critério menos prevalente, embora tenha apresentado o maior aumento proporcional entre os indicadores no país (47,5% para 64,7%). O parto realizado na maternidade de referência aumentou a nível nacional (62.5% e 82.1%) com avanços em AM, PA e TO. Os achados reforçam a urgência de políticas públicas regionalizadas, com investimentos em infraestrutura e capacitação profissional nas regiões Norte e Nordeste, para promover equidade e melhorar os desfechos materno-infantis.
DAYANE DA SILVA NUNES, Aryelly et al. Acesso à assistência pré-natal no Brasil: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 30, n. 3, p. 1–10, 29 set. 2017. POLGLIANE, Rúbia Bastos Soares et al. Adequação do processo de assistência pré-natal segundo critérios do Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento e da Organização Mundial de Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 19, n. 7, p. 1999–2010, jul. 2014. DOMINGUES, R. M. S. M.; DIAS, M. A. B.; TORRES, J. A.; THEME-Filha, M.; GAMA, S. G. N.; LEAL, M. C. Adequação da assistência pré-natal segundo as características maternas no Brasil. Revista Panamericana de Salud Pública, Washington, DC, v. 37, n. 3, p. 140-147, 2015.