Orientador(es): CARMEN IRENE CORREIA DE OLIVEIRA
Área temática: CIÊNCIAS SOCIAIS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: Discente de iniciação científica sem bolsa
Este resumo apresenta uma discussão inicial sobre as 4 ondas do feminismo que faz parte do estudo “A mulher no futuro: Uma análise acerca do protagonismo e antagonismo feminino em obras de ficção científica cinematográficas distópicas e/ou utópicas” que se insere na pesquisa principal “O que vem depois de nós? A questão étnico racial e de gênero no futuro projetado de ficções científicas literárias e cinematográficas” que irá basear as análises dos filmes de ficção científica selecionados. O movimento feminista surge em 1791 com a primeira reivindicação formal de direitos para as mulheres por Olympee de Gouges ao publicar a “Declaração dos direitos das mulheres e da cidadã”, com isso o movimento feminista pode ser classificado com base em “Ondas” que se desdobram historicamente em 4 ondas. A historiadora Joan Scott, situa o surgimento do feminismo como movimento intelectual e político, sobretudo no final do século XX, quando o gênero passa a ser usado como categoria de análise em universidades dos EUA e Europa. A marca desse período é a luta pela liberdade da mulher como cidadã e, como consequência, o conceito de gênero permitiu revelar como desigualdades entre homens e mulheres não são naturais, mas construídas social e historicamente. A 1 onda se inicia após após a revolução francesa, tendo ênfase em autoras como Olympee de Gouges (Declaração dos direitos das mulheres e da cidadã); Mary Wolstonecraft (Uma reinvindicação pelos direitos da mulher); Sojounen Truth (Eu não sou eu uma mulher?), que marcou a diferença racial dentro do movimento feminista, em que mulheres negras não possuíam voz em suas lutas; e Nísia Floresta (Direitos das mulheres e injustiça dos homens). A 2ª onda (1960-70), analisada por Nancy Fraser, que ocorre no contexto do “capitalismo organizado pelo Estado” e de movimentos de esquerda, destacando autoras como Simone de Beauvoir, Betty Friedan e Carol Hanisch, que questionaram a opressão feminina na vida privada e pública. A 3ª onda (a partir de 1990) amplia o movimento ao incluir pautas do movimento negro e LGBTQUIAPN+, defendendo autonomia, sexualidade e valorização das mulheres. Já a 4ª onda (a partir de 2010), é marcada pelo ciberfeminismo e pelo ativismo em redes sociais e enfatiza a interseccionalidade ao denunciar múltiplas formas de opressão como racismo, patriarcado e capacitismo. Essa questão nasce da percepção de um possível aumento das protagonistas femininas em filmes de ficção científica, que, segundo Fátima Oliveira (2002), é um gênero que surge no contexto do Iluminismo e das revoluções dos séculos XVII e XVIII, como forma de refletir sobre os impactos da razão e da técnica, explorando tanto medos quanto utopias do futuro.
HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. OLIVEIRA, Fátima. Nós, ciborgues: a ficção científica como narrativa da subjetividade homem-máquina. Rio de Janeiro: UFRJ / Escola de Comunicação, 2002. xii, 227 p.