APARELHOS IDEOLÓGICOS DE INFORMAÇÃO E MUDANÇA SOCIAL : OS CASOS DA REVOLUÇÃO RUSSA E CUBANA

JOÃO VICTOR SANTOS ESTEVES SIMÕES

Apresentador(es): JOÃO VICTOR SANTOS ESTEVES SIMÕES

Orientador(es): JAVIER ALEJANDRO LIFSCHITZ


Área temática: MEMÓRIA SOCIAL

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

Introdução As revoluções russa e cubana foram marcos históricos de transformações sociais concretas. Em ambos os processos, os meios de comunicação disponíveis foram utilizados estrategicamente por organizações revolucionárias para mobilização da população e disputa ideológica durante o curso da luta. Este estudo tem como base a teoria dos Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE) do filósofo Louis Althusser para compreender como a luta de classe se dá também nos aparelhos ideológicos da informação, ou seja, como os grupos revolucionários disputaram os meios de comunicação para o atingimento de sua finalidade maior: a vitória de suas respectivas revoluções. Metodologia O trabalho foi realizado a partir da seleção e leitura de extensa bibliografia referente ao tema dos meios de comunicação, utilizando fontes secundárias, como textos de protagonistas de ambos os processos revolucionários como Lênin, Che Guevara e Fidel Castro e outros textos já produzidos no século XXI que analisam justamente a utilização dos meios de comunicação nos dois casos. A análise comparativa se sustenta no pensamento de Althusser acerca dos Aparelhos Ideológicos de Estado para a observação de convergências e divergência entre as maneiras de articulação dos meios de comunicação nas referidas insurreições. Objetivos A pesquisa tem como objetivo analisar como o Movimento 26 de Julho e o Partido Bolchevique, em suas atuações concretas, em seus respectivos processos revolucionários, utilizaram os meios de comunicação disponíveis em cada época para disputar o pensamento das massas de seus países com a finalidade de dar força à revolução para que ela obtivesse vitória. A análise, no caso russo, tem como foco o jornal dos bolcheviques “Pravda” desde sua fundação em 1912 até outubro de 1917. Já no caso cubano, o meio de comunicação principal aqui analisado é a “Rádio Rebelde”, também desde sua fundação em fevereiro de 1958 até janeiro de 1959, quando os revolucionários se consagram vitoriosos. Conclusão É possível constatar ao final da pesquisa que, como anunciou Louis Althusser, a luta de classes se dá também nos aparelhos ideológicos de Estado. Neste caso, nos meios de comunicação. Observamos este fato nas diversas censuras partidas da aristocracia russa que visava frear os revolucionários. Lênin enfatizava a importância do jornal para a disputa prática e ideológica ao longo da revolução. O jornal assumia a forma de fio condutor da revolução, tendo em vista a importância de sua produção e circulação em todo o país. Já em Cuba, também vemos a luta de classes nos meios de comunicação. A “Rádio Rebelde” fundada por Che Guevara atuou por quase um ano na clandestinidade, burlando a censura da ditadura de Fulgêncio Batista. Na visão de Che e Fidel, o rádio era um poderoso meio de comunicação para agitação das massas e disputa de ideias. Vemos, então, que o jornal no caso russo e o rádio no caso cubano foram utilizados conscientemente para fins revolucionários sempre imersos na luta de classes em suas respectivas conjunturas.

Bibliografia

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado. 3. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985. BROUÉ, Pierre. O Partido Bolchevique: história do Partido Comunista da União Soviética. São Paulo: Sundermann, 2007. LÊNIN, Vladimir Ilitch. O que fazer?. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2010. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Tradução de Rubens Enderle, Nélio Schneider e Luciano Martorano. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018. PASQUALINO, Beatriz Buschel. A Rádio Rebelde como arma de guerrilha na Revolução Cubana. 2016. 187 folhas. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, 2016. SEOANE, Marcelo Bamonte. Lênin e a imprensa: o jornal como organizador coletivo da revolução proletária. 2024. 99 folhas. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2024.

Palavras-chave

meios de comunicação jornal rádio aparelhos ideológicos de Estado
Voltar