Orientador(es): LUZIA DA COSTA TONON MARTARELLI
Área temática: EDUCAÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
A avaliação em Matemática tem sido marcada, historicamente, por práticas centradas no binômio certo/errado, que acabam invisibilizando conhecimentos parciais, estratégias legítimas e esforços de elaboração dos estudantes. A análise e ressignificação do erro em produções escritas, entretanto, permitem compreender a avaliação como prática de investigação e oportunidade de aprendizagem, com leitura positiva dos registros e intervenções que favorecem o aprendizado e produzem novas compreensões. Este trabalho discute como uma oficina sobre contagem/combinatória possibilitou a construção de critérios avaliativos que deslocam o foco do produto para o processo, promovendo decisões pedagógicas mais justas e dialógicas. O objetivo foi examinar critérios e pesos definidos colaborativamente para avaliar resoluções de problemas de combinatória, explicitando em que medida tais critérios valorizam o raciocínio, a coerência interna e as justificativas, para além da resposta final. A oficina ocorreu na UNIRIO (agosto de 2025) e utilizou como questão disparadora: “Em um banco de questões há 7 de Biologia e 5 de Química. O professor irá montar uma prova com 5 questões, contendo, no mínimo, 2 de Biologia. De quantas maneiras diferentes ele poderá montar essa prova, considerando que a ordem das questões não importa?”. Após os 15 participantes engajarem-se na busca de soluções, compartilhando e discutindo diferentes estratégias, inclusive incorretas, eles foram organizados em quatro grupos e convidados a propor critérios e a atribuir pesos para a avaliação das respostas à questão apresentada. Os resultados evidenciaram convergência na valorização de critérios como a clareza do raciocínio, a coerência dos passos, a adequação das estratégias ao enunciado, a justificativa apresentada e o uso de fórmulas matemáticas, mantendo a correção final como apenas um entre vários indicadores. Observou-se, contudo, variação nos pesos atribuídos, o que revela a subjetividade inerente ao julgamento docente e reforça a necessidade de rubricas multicritério que possam ser ajustadas de acordo com o propósito da avaliação. Conclui-se que a metodologia de análise de erros sustenta critérios de avaliação mais inclusivos e formativos, capazes de orientar intervenções e reduzir o papel exclusivamente classificatório da prova. Como desdobramentos, propõe-se validar as rubricas em turmas distintas, monitorar efeitos sobre aprendizagem e engajamento, e investigar a articulação com instrumentos que preveem devolutivas sucessivas, consolidando uma cultura avaliativa coerente com uma educação matemática crítica e emancipatória.
CURY, H. N. Uma proposta para inserir a análise de erros em cursos de formação de professores de matemática. Educação Matemática Pesquisa, São Paulo, v. 15, n. 3, p. 547 - 562, 2013. DIAS, M. T. C.; LEVY COELHO, A. Contribuições da metodologia de análise de erro para o ensino e aprendizagem da análise combinatória no ensino médio. Revista de Educação Matemática e Tecnológica Iberoamericana, v. 13, n. 2, 2022. SILVA, G. S. E.; BURIASCO, R. L. C. O erro na avaliação como prática de investigação e como oportunidade de aprendizagem. Revista De História Da Educação Matemática, v. 9, p. 1–17, 2023.