Orientador(es): LUCIA GOMES RODRIGUES
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O aumento de excesso de peso e hipertensão arterial entre escolares, associado ao consumo elevado de alimentos processados e ultraprocessados e prática insuficiente de atividade física é um cenário preocupante para a saúde pública. Alterações metabólicas precoces elevam o risco do desenvolvimento de Doenças Crônicas não Transmissíveis na vida adulta, sendo fundamentais ações de prevenção e promoção da saúde. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil antropométrico, a pressão arterial e o consumo alimentar de escolares em uma escola da rede pública do município do Rio de Janeiro, relacionando esses dados com a presença de excesso de peso e hipertensão arterial. Também foram identificados os alimentos ultraprocessados mais consumidos. Com base nesses dados, foram desenvolvidas intervenções educativas. A metodologia incluiu questionários online para responsáveis, com recordatório alimentar de 24h, frequência de consumo alimentar, hábitos alimentares e prática de atividade física. No âmbito escolar foram coletadas medidas de peso, estatura, circunferências e pressão arterial dos alunos do 3º ao 5º ano. Paralelamente, desenvolveram-se oficinas culinárias, com receitas saudáveis e de baixo custo adaptadas à realidade local. Os resultados preliminares mostraram prevalência de excesso de peso e obesidade de 41,2% (n=21), valor superior à média nacional da PeNSE 2019. Quanto ao risco cardiovascular, 33,3% (n=17) apresentaram razão cintura/estatura >0,51 e 57,1% (n=24) estavam hipertensos. O consumo de ultraprocessados foi frequente: 47,1% (n=16) ingeriam refrigerantes ou sucos artificiais 1 a 2 vezes por semana e 17,6% (n=6) diariamente; 88,2% (n=31) biscoitos recheados, salgadinhos ou doces pelo menos uma vez; 70,6% (n=25) ingestão semanal de nuggets, hambúrguer industrializado ou macarrão instantâneo; e 82,4% (n=28) achocolatados várias vezes na semana. O consumo de frutas foi relatado em apenas metade (50% n=17) dos lanches. A prática de atividade física foi mencionada por 84,3% (n=43) dos escolares, porém majoritariamente com frequência de apenas 1 a 2 vezes por semana, abaixo da recomendação de 60 minutos diários pela OMS. Esses achados apontam para uma combinação de fatores de risco que favorecem ganho de peso, aumento da pressão arterial e desenvolvimento precoce de DCNT. O estudo demonstra a relevância de ações educativas em escolas públicas, destacando a necessidade de maior envolvimento dos responsáveis e fortalecimento de políticas de alimentação saudável e incentivo à atividade física. Como trabalhos futuros, prevê-se a conclusão da coleta, ampliação da amostra e análise estatística da relação entre consumo de ultraprocessados, excesso de peso e hipertensão, além da continuidade de ações educativas e apresentação dos resultados em eventos científicos e para a comunidade escolar.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019: resultados principais. Brasília: INEP, 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN 2020: relatório de vigilância nutricional de crianças, adolescentes e adultos. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Alimentos ultraprocessados na alimentação infantil: relatório técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.