O TERMO “JONGO” EM PERIÓDICOS BRASILEIROS DO SÉC. XIX: ENTRE SILENCIAMENTO E REPRESSÃO

VINÍCIUS MADEIRA DA SILVA DE SOUZA

Apresentador(es): VINÍCIUS MADEIRA DA SILVA DE SOUZA

Orientador(es): PEDRO DE MOURA ARAGÃO


Área temática: MÚSICA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

O jongo, expressão coreográfico-musical de origem afro-brasileira e reconhecido como patrimônio imaterial pelo IPHAN em 2005, constitui-se como prática que articula dança, canto responsorial e percussão de tambores, marcada por dimensões rituais e comunitárias. Originário do universo escravista do sudeste cafeeiro, o jongo foi historicamente reprimido pelas elites, que o associavam a espaços de perigo, insubordinação e resistência dos povos escravizados. Apesar de sua patrimonialização e da valorização crescente a partir do final do século XX, observa-se ainda uma lacuna significativa nos estudos sobre sua presença em fontes históricas, especialmente periódicos do século XIX.Este trabalho busca preencher parte dessa lacuna por meio de uma análise hemerográfica baseada na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Entre 1836 e 1887, foram localizadas 22 ocorrências da palavra “jongo” em periódicos brasileiro, majoritariamente no Rio de Janeiro, com registros também em São Paulo e Pernambuco. A análise destas ocorrências permite compreender não apenas as estratégias discursivas de repressão e exotização do jongo, mas também os modos de resistência e resiliência das comunidades negras frente ao sistema escravista. Do ponto de vista teórico, a pesquisa se ancora em dois eixos principais: os estudos sobre racialização sonora , que problematizam as formas pelas quais práticas musicais e sonoras são codificadas como “civilizadas” ou “primitivas” dentro de hierarquias raciais; e a perspectiva de Clóvis Moura sobre o “escravismo pleno”, que compreende o conflito e a violência como estruturantes do sistema escravista, em contraposição a múltiplas formas de resistência. A análise preliminar das matérias revela que o termo “jongo” foi frequentemente associado a descrições pejorativas como “selvagem”, “primitivo” ou “perigoso” e vinculado a ambientes considerados desordeiros ou subversivos. Ao mesmo tempo, relatos jornalísticos da época permitem entrever que o jongo era espaço de sociabilidade, expressão cultural e resistência simbólica dos escravizados, mesmo quando observado sob o olhar repressivo e racializado da imprensa oitocentista. O estudo contribui para o aprofundamento da compreensão histórica do jongo, ampliando a perspectiva patrimonial que o reconhece hoje como forma de expressão afro-brasileira fundamental, ao mesmo tempo em que revela os mecanismos de racialização e repressão que marcaram sua trajetória no século XIX.

Bibliografia

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Palavras-chave

Jongo Imprensa brasileira Racialização sonora Escravismo Resistência cultural
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