Orientador(es): RAFAEL SILVA CADENA
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC - AF
A alimentação na infância é determinante para o crescimento, o desenvolvimento e a formação de hábitos saudáveis. As creches têm papel estratégico nesse processo, ao garantirem refeições balanceadas que contribuem para a saúde infantil. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), regulamentado pela Resolução nº 6/2020, estabelece diretrizes para a oferta alimentar em creches e demais etapas da educação básica. O método AQPC-Escola possibilita avaliar a qualidade dos cardápios, destacando a frequência de alimentos recomendados e controlados e permitindo identificar avanços e fragilidades. Avaliar a qualidade nutricional dos cardápios de creches de municípios do Estado do Rio de Janeiro em 2024, utilizando o método AQPC-Escola. Foram analisados cardápios de 33 municípios, obtidos com apoio do CECANE-UNIRIO e em sites oficiais. O método AQPC-Escola classificou os alimentos em recomendados e controlados. A análise considerou a frequência média de oferta de cada grupo alimentar, número de refeições ofertadas e diferenças entre refeições, tomando como referência os critérios da Resolução nº 6/2020. Entre os alimentos recomendados, frutas in natura estavam presentes em 81,8% dos municípios, enquanto 18,2% não cumpriram a exigência mínima semanal. Hortaliças atingiram a conformidade em 57,6% dos municípios. Cereais e leguminosas apareceram em todos os municípios, assegurados pela presença de arroz e feijão, cuja média de oferta foi de 90% nos cardápios analisados. Carnes e ovos estiveram em 100% dos municípios. Leite e derivados aparecem em 60,6% e alimentos integrais em 72,7%. Entre os alimentos controlados, preparações com açúcar adicionado estiveram em 87,9%. Ultraprocessados apareceram em 69,7% e biscoitos e bolos foram servidos em 66,7%. Alimentos em pó ou desidratados surgiram em 30,3%. A maioria dos controlados concentrou-se nas pequenas refeições, enquanto as grandes refeições apresentaram maior equilíbrio nutricional, com presença consistente de arroz, feijão e proteínas e ausência de frituras e embutidos. Quanto ao número de refeições, os municípios que ofertavam quatro refeições diárias apresentaram maior adequação às exigências da Resolução em contraste com os que ofertavam apenas uma ou duas. Apesar de avanços observados nas grandes refeições, persistem fragilidades nas pequenas, sobretudo pela elevada presença de alimentos controlados em creches, em desacordo com a Resolução nº 6/2020. Municípios que oferecem maior número de refeições apresentaram melhores resultados, indicando que o tempo de permanência e a diversidade alimentar favorecem a conformidade nutricional. O método AQPC-Escola mostrou-se eficiente para monitorar o PNAE, destacando a importância da educação alimentar, da capacitação de profissionais e da fiscalização contínua para assegurar hábitos alimentares adequados desde a infância.
BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução CD/FNDE nº 6, de 8 de maio de 2020. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica. Diário Oficial da União, Brasília, 2020 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira: promovendo a alimentação saudável. 2. ed., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.