Orientador(es): TATIANA MEDEIROS BARBOSA CABRINI
Área temática: BIODIVERSIDADE
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
O crustáceo Emerita brasiliensis habita a zona mesolitoral inferior de praias arenosas, estando sujeito às pressões físicas da região de arrebentação, e apresenta adaptações comportamentais que lhe permitem resistir à energia do ambiente hidrodinâmico, refletindo assim seu fitness. A espécie é um bioindicador sensível às atividades humanas, permitindo avaliar impactos de diferentes fontes de poluição. Apesar de sua plasticidade ecológica, sofre efeitos a longo prazo, resultando em mudanças na estrutura populacional e na distribuição espacial. O objetivo principal do estudo é avaliar comparativamente se há diferença na abundância de Emerita brasiliensis em dois momentos do dia (manhã e noite) em duas praias com diferentes níveis de conservação e urbanização, praia de Fora e praia do Flamengo. As coletas foram realizadas mensalmente ao longo de todas as estações do ano, entre março de 2024 e março de 2025, ocorrendo na zona do infralitoral, durante marés de sizígia, abrangendo tanto o período diurno quanto o noturno. A Praia de Fora está situada dentro dos limites de uma área militar com acesso restrito, já a praia do Flamengo é de fácil acesso e altamente urbanizada. Em três transectos, prioritariamente sobre os agregados identificados visualmente, foram replicadas 24 amostras, cobrindo uma área de 2 m² por turno. Os organismos foram classificados em quatro classes de tamanho, e o estágio reprodutivo foi avaliado. O teste de normalidade de Shapiro-Wilk e o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis foram aplicados para verificar diferenças significativas entre as abundâncias e classes de tamanho por turno. O protocolo de avaliação rápida para praias (PAR-P) avaliou 12 parâmetros (Dentre eles: grau e tipo de ocupação; efluentes; resíduos sólidos; frequência de atividades; características da água) para detectar características e problemas ambientais. Cada parâmetro recebeu a mesma escala de 0–20 pontos. A partir das pontuações obtidas de cada parâmetro, foi realizada uma média simples. Foram amostrados 12.215 indivíduos na praia de Fora (4.685 pela manhã e 7.530 à noite) e 1.456 na praia do Flamengo (264 pela manhã e 1.196 à noite). Na praia do Flamengo, houve diferença significativa entre os turnos da manhã e da noite, evidenciam uma maior atividade no período noturno, fato esse que pode estar associado à intensa urbanização. As classes 3 e 4 (adultos) apresentaram diferença global significativa entre os turnos. As classes 1 e 2 (recrutas e juvenis) apresentaram diferença significativa no Flamengo, mas não na praia de Fora, e foram consideradas arrítmicas. Ambas as praias foram classificadas como “boa” pelo PAR-P, mas a praia do Flamengo obteve apenas 5 dos 12 parâmetros acima de 10, enquanto a praia de Fora alcançou 10, indicando melhor qualidade ambiental Os resultados demonstram que a atividade humana combinada com características ambientais direciona ajustes no ritmo circadiano da espécie.
Fusaro, C. (1980). Diel distribution differences in the sand crab, Emerita analoga (Stimpson) (Decapoda, Hippidea). Crustaceana, 39(3), 287-300. Tôsto, K. L. (2016). Praias da Ilha de Itacuruçá (Mangaratiba/Itaguaí - RJ): Análise da qualidade ambiental a partir do desenvolvimento de um Protocolo de Avaliação Rápida. Monografia (Especialização). Escola Nacional de Ciências Estatísticas.