ALTA PREVALÊNCIA DE SÍFILIS RECENTE EM PVHA RECÉM DIAGNOSTICADAS VIRGENS DE TRATAMENTO ANTIRRETROVIRAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

MANUELLA RAMOS ESTRELLA RODRIGUES

Apresentador(es): MANUELLA RAMOS ESTRELLA RODRIGUES

Orientador(es): FABIANA BARBOSA ASSUMPCAO DE SOUZA


Área temática: MEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A crescente coinfecção entre sífilis e HIV tem se configurado como um desafio relevante para a saúde pública, principalmente em centros urbanos de alta incidência. Observa-se um aumento significativo nos casos de sífilis entre pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), sobretudo em populações mais vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens (HSH). Nesse cenário, esta pesquisa teve como foco a prevalência da sífilis em uma coorte de PVHA virgens de terapia antirretroviral (TARV), acompanhados em um hospital universitário, relacionando a infecção a fatores clínicos e sociodemográficos. O objetivo principal foi estimar essa prevalência e identificar possíveis fatores associados à coinfecção. Para isso, foi realizado um estudo transversal, com análise de prontuários de 149 pacientes atendidos no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), todos iniciando TARV com o esquema de primeira linha brasileiro (DTG + 3TC + TDF). A metodologia incluiu coleta de dados clínicos e sociodemográficos, organização em tabelas, análise estatística e discussão com base na literatura existente. Os resultados demonstraram prevalência de sífilis em 26,2% dos pacientes, sendo 29,6% entre os homens e 8,3% entre as mulheres. Entre os coinfectados, 94,8% eram do sexo masculino, 87,1% solteiros e 89,7% HSH, com média de idade de 36,8 anos. A maioria possuía escolaridade de nível médio (56,4%) ou superior (35,9%). Quanto à cronologia dos diagnósticos, 42,8% já tinham diagnóstico de sífilis antes do HIV, 8,5% foram diagnosticados após e 48,5% receberam os dois diagnósticos simultaneamente. As formas clínicas mais frequentes foram a secundária (33,3%) e a latente tardia (25%), e o tratamento foi realizado majoritariamente com penicilina benzatina (79,4%). A média de CD4 ao diagnóstico foi de 402 cél/mm³, com 48,7% apresentando níveis abaixo de 350. Os acompanhamentos clínicos seguem em andamento no ambulatório de imunologia do HUGG, com consultas periódicas para monitoramento da carga viral, renovação de prescrições e escuta qualificada das queixas dos pacientes, incluindo reinfecções. Esta continuidade permite observações clínicas mais aprofundadas e amplia as possibilidades de pesquisa, reforçando o vínculo com os pacientes e contribuindo para a prática médica humanizada e baseada em evidências. A pesquisa destaca a sífilis como evento sentinela para o diagnóstico de HIV e aponta a importância do rastreio regular de ISTs, sobretudo em populações mais vulneráveis. O estigma social, o comportamento de risco e a vulnerabilidade de certos grupos dificultam a busca por diagnóstico e tratamento, tornando essencial a atuação integrada dos serviços de saúde com foco em prevenção, testagem ampliada e educação em saúde. A experiência de acompanhamento ambulatorial associada à pesquisa científica proporcionou formação prática e teórica valiosa, resultando em apresentações em eventos científicos e publicação. Como desdobramento, pretende-se aprofundar o estudo da resposta terapêutica à sífilis em PVHA e propor estratégias para o rastreio precoce e intervenções mais eficazes.

Bibliografia

PEELING, R. W. et al. Syphilis. The Lancet, 2023. VASCONCELOS, M. S. B. de et al. Coinfecção entre HIV e Sífilis. RBAC, 2020. ZETOLA, N. M.; KLAUSNER, J. D. Syphilis and HIV infection: An Update. The Oxford Journals, 2015.

Palavras-chave

HIV Sífilis Coinfecção TARV Ambulatório
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