DESENVOLVIMENTO DE IMATUROS DE CHRYSOMYA MEGACEPHALA (DIPTERA: CALLIPHORIDAE) APÓS EXPOSIÇÃO AO DISSOCIANTE PAPAÍNA

JOÃO PEDRO DE OLIVEIRA LIMA, MARIANA DOS PASSO NUNES, JÉSSICA DA SILVA COSTA, CLÁUDIA SOARES SANTOS LESSA, JERÔNIMO AUGUSTO FONSECA ALENCAR, VALÉRIA MAGALHÃES AGUIAR

Apresentador(es): JOÃO PEDRO DE OLIVEIRA LIMA

Orientador(es): VALERIA MAGALHAES AGUIAR


Área temática: BIIOMEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC - AF


Resumo

A Terapia Larval (TL) é um biotratamento alternativo que emprega larvas necrobiontófagas descontaminadas de moscas varejeiras da família Calliphoridae, em feridas de difícil cicatrização, muitas vezes com presença de bactérias multirresistentes, visando a remoção de tecido necrosado, induzindo a cicatrização. É uma opção econômica, eficaz e rápida em comparação ao tratamento convencional. Para sua aplicação é necessário realizar a descontaminação de ovos previamente dissociados, sendo assim, objetivou-se avaliar o desenvolvimento pós embrionário de Chrysomya megacephala (Fabricius, 1794) após a dissociação da massa de ovos frente a duas concentrações de papaína, enzima proteolítica encontrada na Carica papaya (Linnaeus, 1753) que pode agir como dissociador. Foi estabelecida uma colônia de dípteros em laboratório. As armadilhas foram expostas por 5 horas à campo e levadas ao Laboratório de Estudo de Dípteros (LED), para identificação taxonômica. Os adultos foram mantidos em gaiolas e alimentados com solução de mel (50%), água e moela de frango como dieta. Após a oviposição, as massas de ovos foram transferidas para placas de Petri forradas com papel de filtro umedecidas com soro fisiológico e mantidas em estufa de fotoperíodo regulada (21ºC, 70±10% UR,12h fotofase) por 14 horas para que ocorresse o embrionamento dos ovos. No primeiro tratamento (T1) avaliou-se a papaína 1,0%, no segundo (T2) papaína 0,5%, e no controle água destilada, onde a massa de ovos não foi dissociada. Todos foram submersos nas soluções por 10 minutos. Após a dissociação, 40 neolarvas foram transferidas para moela de frango, em quatro repetições, mantidas em capela de exaustão com registro da temperatura e umidade relativa do ar em aparelho Datalogger (AKSO), com observações diárias. Utilizou-se o Rstudio para as análises estatísticas, aplicando os testes de Shapiro-Wilk para verificar a normalidade dos dados e Kruskal-Wallis (α= 5%) para verificar diferenças entre os tratamentos. A temperatura e umidade média registradas foram, respectivamente, 22,0 ºC e 64,7%. Larvas que abandonaram a dieta não diferiram significativamente na massa corporal (p = 0,287). A duração do estágio larval não apresentou diferença significativa (p = 0,201), assim como o pupal e total, cujos valores foram idênticos entre os tratamentos. A viabilidade larval, pupal e total não diferiram significativamente, sendo respectivamente p = 0,924, p = 0,269 e p = 0,965. Conclui-se que tanto a papaína 1,0% e 0,5% possuem a capacidade de dissociar e não prejudicam o desenvolvimento e a viabilidade do inseto.

Bibliografia

Berkebile, D. R; Skoda, S. R. Chemicals useful for separating egg masses of the screwworm. Southwestern Entomologist, v.27, n.3, 297- 299, 2002. Gama, R. A; Brambilla, P. B.T; Silva, S.R.A; Medeiros, J.R; Jales, J.T; Pinheiro, M.A.R.Q; Ferraz, J.B; Neto, R.M; Barbosa, T.B. Terapia larval: protocolo básico de manutenção, desinfecção, transporte e aplicação de larvas de Chrysomya megacephala (Fabricius, 1794) (Diptera: Calliphoridae). Entomological Communications, [S. l.], v. 3, ec03022, 2021. Stadler, F. A Complete Guide to Maggot Therapy: Clinical Practice, Therapeutic Principles, Production, Distribution, and Ethics. Cambridge: Open Book Publishers, 2022.

Palavras-chave

Palavra-Chave: Terapia larval mosca varejeira desenvolvimento pós embrionário enzima proteolítica
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