Orientador(es): LAYS SOUZA (CO-ORIENTADORA), CARLOS FERNANDO ARAÚJO LIMA (ORIENTADOR)
Área temática: BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O abacaxi (Ananas comosus), da família Bromeliaceae, é uma fruta tropical amplamente cultivada, cujos subprodutos, como casca e coroa, representam cerca de 49% do fruto descartado no processamento. Essas partes concentram fibras e compostos bioativos com atividade antioxidante, configurando alternativas para o desenvolvimento de produtos funcionais. Contudo, o abacaxi está entre os vegetais com maiores índices de resíduos de agrotóxicos no Brasil, o que reforça a necessidade de avaliar o potencial nutricional e também a segurança alimentar de derivados obtidos a partir de seus resíduos. Nesse cenário, infusões de frutas se destacam como alternativa promissora para agregar valor a subprodutos vegetais, unindo valor nutricional, compostos bioativos e possíveis efeitos quimiopreventivos contra a carcinogênese química induzida por danos ao DNA. Com esse propósito, o presente estudo avaliou a segurança genotoxicológica e o potencial antimutagênico da Farinha de Coroa de Abacaxi (FCA). A genotoxicidade foi investigada por meio do ensaio Salmonella/microssoma em microssuspensão, utilizando diferentes cepas de Salmonella enterica serovar typhimurium, com e sem metabolização exógena por S9 mix. Cinco concentrações da amostra foram testadas em triplicata, com pré-incubação de 90 min. Os controles negativos consistiram em água estéril, enquanto os positivos variaram de acordo com a cepa e a condição de metabolização no teste. Após incubação de 72 h, foram contadas as colônias revertentes His+. A avaliação do potencial quimiopreventivo foi realizada pelo ensaio de antimutagenicidade, adaptado do teste de Ames com as cepas TA98, TA100 e TA102. sob três condições: pré-tratamento, co-tratamento e pós-tratamento, os quais diferem entre o momento de exposição da amostra e o mutágeno estabelecido durante a pré-incubação. Os resultados do ensaio de mutação reversa bacteriana apontaram ausência de mutagenicidade da FCA frente às cepas testadas, tanto na presença quanto na ausência de ativação metabólica. TA97, TA98, TA100 e TA1535 não apresentaram aumento significativo no número de colônias revertentes em nenhuma condição, havendo apenas discreta redução populacional nas maiores concentrações do extrato. Em TA102, observou-se curva dose-resposta significativa na dose de 100 µg/placa, seguida de resposta citotóxica na maior concentração com incubação +S9, possivelmente associada ao perfil antimicrobiano do extrato. Nos ensaios de antimutagenicidade, não foi verificada redução da mutagenicidade em relação aos controles positivos para TA98, TA100 e TA102. Os resultados também não indicaram dose-dependência nem diferenças estatísticas significativas (ANOVA), não sustentando atividade quimiopreventiva nas condições avaliadas. Por fim, a Farinha de Coroa de Abacaxi revelou-se segura do ponto de vista genotoxicológico, mas não exibiu efeito antimutagênico relevante. Seu potencial quimiopreventivo demanda investigações que integrem abordagens bioquímicas e toxicológicas.
MARON, D. M.; AMES, B. N. Revised methods for the Salmonella mutagenicity test. Mutation Research/Environmental Mutagenesis and Related Subjects, v. 113, n. 3-4, p. 173–215, mar. 1983. SCHARF, R. M. et al. Antimutagenic and antitumor activities of a water-soluble fraction of soursop ( syn Graviola,Annona muricata L.) fruit pulp. Journal of Toxicology and Environmental Health, Part A, v. 87, n. 7, p. 310–324, 29 jan. 2024. SŁOCZYŃSKA, K. et al. Antimutagenic compounds and their possible mechanisms of action. Journal of Applied Genetics, v. 55, n. 2, p. 273–285, 11 mar. 2014.