A GUERRILHA INDÍGENA E A GUERRA MODERNA, AMÉRICA PORTUGUESA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XVIII

GUSTAVO GARCIA RAMOS

Apresentador(es): GUSTAVO GARCIA RAMOS

Orientador(es): CHRISTIANE FIGUEIREDO PAGANO DE MELLO


Área temática: HISTÓRIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Os povos indígenas desde a ocupação portuguesa do território que hoje compreendemos como Amazônia, ocuparam um papel de destaque no decurso militar da região, seja pela grande presença demográfica, seja pelas suas táticas únicas de guerra. A arte militar na Região Norte não pode ser compreendida sem que seja entendido o papel bélico dos indígenas em sua configuração. O militarismo na região amazônica é caracterizado pela guerra de guerrilha, Pedro Pontoni (1999) define essa montagem de guerra como uma estratégia bélica pouco convencional , baseadas nas táticas e conhecimentos militares dos indígenas. O objeto dessa pesquisa é, portanto, o militarismo indígena na região amazônica, mas centralizado dentro do recorte temporal da segunda metade do século XVIII. Como foi falado, o militarismo indígena esteve sempre presente na constituição bélica do Norte, entretanto, a partir de 1750, o Marquês de Pombal, Secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I, implementa diversas reformas militares na Colônia. O projeto militar pombalino estabeleceu novos princípios na estruturação do corpo bélico do país, procurando regulamentar o corpo militar colonial, uniformizar as tropas e centralizar a defesa colonial, visando a defesa da colônia como prioridade máxima para seus súditos. Nesse contexto, os indígenas tornam-se “soldados” a serviço da Coroa na defesa da região. Em suma, a questão central da pesquisa é entender o papel dos indígenas amazonenses na formação dos exércitos oficiais e nas incursões militares da região a partir do quadro das reformas militares e indigenistas de Pombal. A metodologia selecionada para este projeto consiste no levantamento e leitura dos diversos ofícios, cartas, requerimentos, consultas e ordens existentes no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), sobre o projeto militar pombalino para a região Norte da América, disponibilizados digitalmente através do Projeto Resgate. Mais especificamente. Buscando as correspondências ativa e passiva estabelecidas entre os Governadores da região Norte e a Metrópole. A partir dessas documentações são filtradas aquelas que dialogam com a problemática da pesquisa, portanto documentos que ajudem a entender as particularidades dos povos indígenas, como mapa de povoações, bem como correspondências e requerimentos oficiais. A partir das fontes do AHU, foi possível entender os postos militares, funções estratégicas e modos de conflitos atribuídos aos povos indígenas em caso de guerra ou defesa do Estado. Em síntese, a inserção de indígenas no corpo militar do Norte através das reformas militares de pombal, pode ser interpretado através de três perspectiva: primeiro: como um mecanismo de assimilação dos indígenas à sociedade luso-colonial, uma vez que a base da legislação indígena da época, o já citado Diretório dos Índios, tinha como cerne, a inclusão social dos indígenas. Segundo: como uma utilização, de forma institucionalizada de uma mão de obra militar abundante e massiva nos territórios amazônicos. Terceiro: como uma falha na implementação das politicas pombalinas no Norte, resultando em uma necessidade de utilização da mão de obra militar indígena. Além disso, o ambiente amazônico impedia a utilização dos meios de guerrear europeus. Todos esses fatores fizeram dos ""guerreiros indígenas" protagonistas do militarismo na região norte.

Bibliografia

ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Os índios na História do Brasil. Editora FGV. Rio de Janeiro, 2010. CASTRO, Celso; SOUZA, Adriana Barreto de. A defesa militar da Amazônia: entre história e memória. In: Amazônia e defesa nacional. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. PUNTONI. A arte da guerra no Brasil. Tecnologia e estratégia militar na expansão da fronteira da América portuguesa, 1550-1700, São Paulo: Cebrap, nº 53, 1999.

Palavras-chave

História indígena; guerrilhas indígenas; Amazônia colonial; militarismo e reformas.
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