DESIGN ESPECULATIVO E O CIBORGUE DE DONNA HARAWAY

GABRIEL DE MELO GUEDES SOUZA

Apresentador(es): GABRIEL DE MELO GUEDES SOUZA

Orientador(es): SEAN WOLFGAND MATSUI SIQUEIRA


Área temática: INFORMÁTICA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC - AF


Resumo

Esta pesquisa parte da crítica a uma visão de mundo que reduz a realidade a categorias binárias, como humano e máquina. Inspirado em correntes teóricas como o pós-humanismo, o trabalho investiga as implicações da crescente integração entre o biológico e o artificial, conduzindo à pergunta central: diante da simbiose cada vez maior com a tecnologia, o que significa, afinal, ser humano? O objetivo central foi investigar como a metáfora do ciborgue de Donna Haraway (2009), que simboliza uma identidade híbrida e fluida, pode ser integrada ao Design Especulativo (Dunne; Raby, 2013). Nesse contexto, desenvolveu-se o “Cyborg AI”, um chatbot desenvolvido para responder como se fosse a própria Haraway, mobilizando sua visão crítica e provocativa sobre tecnologia, identidade e política. A proposta é explorar como esse chatbot pode funcionar como dispositivo especulativo, instigando reflexões sobre fronteiras entre humano e máquina, tensionando discursos estabelecidos e imaginando futuros sociotécnicos alternativos, éticos e inclusivos. Sua arquitetura técnica, hospedada em servidores da UNIRIO, emprega um pipeline de Geração Aumentada por Recuperação (RAG). Após uma fase de testes com APIs para mitigar limitações de hardware, optou-se pelo modelo open-source (Zephyr-7b-beta) para maior autonomia e inovação. O sistema utiliza uma base de conhecimento especializada, vetorizada com FAISS e orquestrada via LangChain, garantindo respostas filosoficamente alinhadas. A avaliação do artefato consistiu em analisar qualitativamente as respostas do “Cyborg AI” a perguntas sobre temas como implantes cerebrais. Um exemplo de avaliação ocorreu quando questionamos o “Cyborg AI”: quais seriam os possíveis problemas sociais de um chip implantado no cérebro? O “Cyborg AI” alertou que chips cerebrais podem ampliar desigualdades sociais, ameaçar a privacidade e criar novas formas de exclusão. Também destacou os riscos de manipulação de pensamentos e emoções. Isso levou a reflexões sobre relações de poder e desigualdade, os riscos à privacidade e à autonomia, com pensamentos e emoções sujeitos à vigilância. As interações com o “Cyborg AI” levou ainda a pensar criticamente em novas formas de design tecnológico e em questões que alçam dimensões políticas, sociais e ambientais, além de refletir sobre como imaginar essa integração sem que haja perda da própria humanidade. Esse projeto demonstrou que sistemas de inteligência artificial podem ser concebidos como instrumentos críticos de engajamento, constituindo uma base empírica para pesquisas futuras, voltadas à análise qualitativa das interações dos usuários, com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre como esse chatbot pode mediar reflexões, produzir significados e reconfigurar relações sociotécnicas.

Bibliografia

DUNNE, A.; RABY, F. Speculative Everything: Design, Fiction, and Social Dreaming. Cambridge: MIT Press, 2013. HARAWAY, D. J. Manifesto Ciborgue. In: TADEU, T. (Org.). Antropologia do Ciborgue: As Vertigens do Pós-Humano. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009. LATOUR, B. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Salvador: EDUFBA, 2012.

Palavras-chave

Design Especulativo Metáfora do Ciborgue Chatbot Geração Aumentada por Recuperação (RAG) Pós-Humanismo
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