Orientador(es): DIEGO MATOS PINTO
Área temática: MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Esta pesquisa evidencia uma jornada de reconexão pessoal com minha ancestralidade, motivada pelo desejo de conhecer o significado do meu próprio nome. Essa busca se transformou em um incômodo com a forma como a educação, em particular a matemática, é ensinada durante nossas experiências de formação. Diante da obrigatoriedade da Lei 10.639/03, que exige o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, esta pesquisa denuncia a ausência de saberes afro-diaspóricos em nossas grades curriculares, especialmente na formação de professores. A matemática, em geral, é apresentada sob um modelo eurocêntrico hierárquico, que trata o professor como uma única autoridade e os estudantes como “cascas vazias” a serem preenchidas. Para subverter essa lógica, este trabalho se debruçou sobre uma pesquisa bibliográfica em textos de Educação (Matemática), que discutem temáticas como decolonialidade, filosofias africanas e narrativas afro-diaspóricas. Autores como Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino permitiram referenciar minha investigação em saberes africanos para repensar o ensino e a sala de aula de matemática, estabelecendo conexões entre esses saberes e a própria matemática. A motivação desta pesquisa é, portanto, pessoal e acadêmica: um desejo de me aproximar das minhas raízes e, ao mesmo tempo, de preencher uma lacuna no ensino de matemática, que perpetua uma visão de mundo apresentada como única opção. O objetivo central do trabalho é demarcar os Itans (contos e mitos Iorubás) como referências de saber que desafiam a suposta autoria eurocêntrica do conhecimento, sobretudo no campo da educação matemática. Nesse sentido, proponho que as reflexões filosóficas possibilitadas pelos Itans sejam incorporadas à nossa prática docente, levando a uma nova visão de sala de aula e de mundo. A partir de uma Pedagogia das Encruzilhadas (Rufino, 2019), onde Exu decide residir em vez de escolher um único caminho, destacamos que a decolonialidade não representa a exclusão de saberes europeus, mas uma oportunidade de fazer as diferentes formas de conhecimento coexistirem em um campo rico de possibilidades. Ao optar por referências diferentes dos textos acadêmicos convencionais, busco desafiar a própria estrutura que sustenta o modelo hegemônico, com o intuito de argumentar que a decolonialidade, que visa tirar do colo colonizador a autoria da escrita do mundo, requer que diversifiquemos nossas referências para além do que o sistema tradicionalmente trata como válido. Fazemos um convite para que a academia e a sala de aula de matemática se abram a outras narrativas, a outras vozes, em busca de um saber mais plural e libertador.
BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática ”História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Rufino, L. (2019). Pedagogia das encruzilhadas Exu como Educação. Revista Exitus, 9(4), 262-289.