A INTELECÇÃO DE ESSÊNCIAS: O PROCESSO DE ABSTRAÇÃO EM ARISTÓTELES

CARLOS ALEXANDRE SANTOS DE MACEDO

Apresentador(es): CARLOS ALEXANDRE SANTOS DE MACEDO

Orientador(es): DARIO ALVES TEIXEIRA FILHO


Área temática: FILOSOFIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Nossa pesquisa em seu primeiro ano se concentrou em uma epistemologia clássica, a saber, a aristotélica. Aristóteles não se pergunta efetivamente se podemos conhecer, mas, tomando como fato evidente que conhecemos, propõe uma explicação e formulação do nosso conhecimento em dois âmbitos de cognoscibilidade, o sensível e o intelectual. Sua epistemologia é baseada em uma continuidade entre esses dois níveis de cognoscibilidade, que se direcionam para o singular e para o universal. Nossa motivação central, então, ao reconstruir a epistemologia aristotélica se encontra em analisar sua capacidade de alcançar um conhecimento eidético que sirva de fundamento para as ontologias regionais, assim buscamos analisar se o conhecimento abstrativo clássico é superior ao empirista moderno e pode apresentar elementos pertinentes para os estudos fenomenológicos contemporâneos, que também defende a capacidade de aceder a conhecimentos de essências com base na experiência. Em primeiro lugar, objetivamos explicitar os fundamentos da concepção clássica sobre nossa estrutura psíquica que lhe permite estabelecer o próprio princípio que todo conhecimento é oriundo da experiência sensível, sem com isso limitar o conhecimento racional à constatação de meras regularidades gerais da experiência. Em segundo lugar, objetivamos explicitar como essa melhor compreensão do procedimento clássico de abstração pode constituir uma fonte e um suporte para o procedimento de ideação husserliano que ergue igualmente a pretensão geral de possibilitar um conhecimento de formas essenciais a partir de dados individuais da experiência. Nossa metodologia é eminentemente analítica e reconstrutiva, no sentido de que procederemos a uma revisão bibliográfica de momentos privilegiados de tematização da teoria da abstração aristotélica, em vista de promover uma análise e reconstrução de razões clássicas em favor da possibilidade, defendida contemporaneamente pela fenomenologia, de um conhecimento eidético a partir da experiência. Obtemos por resultado uma clareza conceitual parcial sobre os procedimentos de abstração tal como concebido na tradição aristotélica. Esperamos obter ainda, mais especificamente, o estabelecimento de uma base de razões que o justifique como um método para as ontologias regionais, particularmente, para o conhecimento eidético das formas básicas da realidade social. Diante desta descrição geral, conseguimos obter, parcialmente, a reconstrução conceitual do quadro epistemológico aristotélico, cabendo fazer ainda alguns ajustes para que atingir uma maior precisão conceitual e revelarmos fatores importantes do texto. Assim, nossa pesquisa seguirá para um segundo ano onde esperamos alcançar a ideação husserliana e notar se há ou não algo de pertinente na abstração aristotélica que possa servir de suporte para ela.

Bibliografia

AQUINO, T. Comentário ao Sobre a Alma. São Paulo: Vide Editorial, 2024. ARISTÓTELES. De Anima. São Paulo: Editora 34, 2012. BRENTANO, F. La psicologia de Aristóteles, com especial atencion a la doctrina del entendimento agente. Ediciones Universidad San Dámaso, 2015.

Palavras-chave

Aristóteles Intelecção Abstração Essências Experiência Sensível Conhecimento
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