Orientador(es): ANITA CORREIA LIMA DE ALMEIDA
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
O presente estudo tem como objetivo analisar como o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, foi representado pela imprensa, tomando como base reportagens do “Jornal do Brasil” publicadas entre 1970 e 1979. Parte-se da compreensão de que as favelas cariocas, historicamente marginalizadas, foram alvo de discursos midiáticos que reforçaram estigmas sobre seus territórios e moradores. Para contextualizar a análise, apresenta-se a trajetória histórica e territorial da Maré, abordando sua formação, localização geográfica, características físicas e culturais, bem como o processo de marginalização urbana ao qual foi submetida. A metodologia adotada é qualitativa, fundamentada em levantamento documental na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, com foco na identificação e interpretação das narrativas jornalísticas sobre a Maré. Além disso, considera-se o contraponto oferecido por iniciativas locais, como jornais comunitários e o Museu da Maré, que atuam na preservação da memória e valorização da identidade dos moradores. O surgimento de veículos como “O Cidadão” e “Maré de Notícias” exemplifica formas concretas de resistência simbólica e de afirmação identitária. Essas experiências revelam a relevância da comunicação comunitária e da memória coletiva como ferramentas de enfrentamento do estigma social e de promoção do direito à cidade. Ao narrar suas próprias histórias, os moradores desafiam representações negativas impostas de fora e reafirmam a Maré como espaço de cultura, saberes e cidadania. Os resultados apontam que, no período analisado, a imprensa tradicional, especialmente o “Jornal do Brasil”, contribuiu para a difusão de estereótipos negativos, utilizando linguagem pejorativa e desumanizante. Em contrapartida, observa-se que, nas décadas seguintes, surgiram mecanismos de resistência e produção de narrativas alternativas que reivindicam memória, identidade e direito à cidade. Conclui-se que compreender os discursos midiáticos sobre a Maré é essencial para refletir sobre o papel da imprensa na reprodução das desigualdades urbanas, bem como sobre as estratégias de resistência de seus moradores. O estudo evidencia a necessidade de uma postura crítica diante da mídia tradicional e de valorização das narrativas comunitárias como parte fundamental da luta por reconhecimento e dignidade. Meu interesse pelo tema decorre tanto da vivência como moradora do Piscinão de Ramos, uma das comunidades da Maré, quanto do percurso acadêmico na graduação em História. Durante a formação, percebi a escassa presença desse debate no meio acadêmico, o que reforça a urgência de dignificar as histórias da Maré e de seus moradores. Espera-se que esta pesquisa contribua para novos estudos e fortaleça iniciativas que, diariamente, lutam pelo reconhecimento das populações faveladas.
ANDRADE, Ian Rebouças de; NUNES, Márcia Vidal. Mídia Ninja e a comunicação contra-hegemônica. Revista Alterjor, São Paulo, Brasil, v. 24, n. 2, p. 182–198, 2021. DOI: 10.11606/issn.2176-1507.v24i2p182-198. Disponível em: https://revistas.usp.br/alterjor/article/view/174818.. Acesso em: 21 jul. 2025. ESPERANÇA, V. Maré e suas representações: das primeiras ocupações até as mais recentes intervenções urbanísticas. Acervo: Revista do Arquivo Nacional, v. 34, n. 2, p. 1-23, 2021. SILVA, C. R. R. da. Maré: a invenção de um bairro. 2006. Dissertação (Mestrado Profissional em Bens Culturais e Projetos Sociais) — Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro, 2006.