ASSOCIAÇÃO ENTRE GRATIDÃO E DEPRESSÃO EM INDIVÍDUOS JOVENS SEM DOENÇA CARDIOVASCULAR

LETÍCIA SILVA FLÔR DOS SANTOS

Apresentador(es): LETÍCIA SILVA FLÔR DOS SANTOS

Orientador(es): JULIO CESAR TOLENTINO JUNIOR


Área temática: MEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Introdução: A gratidão, ao enfatizar aspectos positivos da vida, favorece otimismo e satisfação pessoal, podendo reduzir sintomas depressivos. A depressão, por sua vez, está relacionada a piores desfechos clínicos, incluindo risco cardiovascular aumentado. Embora a associação entre gratidão e depressão esteja sendo em indivíduos com doenças cardiovasculares (DCV), ainda não há clareza sobre essa relação em indivíduos jovens saudáveis, o que poderia indicar a gratidão como fator protetor com impacto preventivo nesse contexto. Objetivos: Investigar a associação entre gratidão e depressão em indivíduos sem DCV, e avaliar a relação entre nível de gratidão e gravidade da depressão. Metodologia: Estudo transversal, realizado no Hospital Universitário Gaffrèe e Guinle (HUGG), incluindo indivíduos sem DCV, entre eles estudantes e funcionários. O diagnóstico de episódio depressivo maior (EDM) se deu a partir dos critérios do DSM-5 e do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9), sendo considerado EDM quando escore do PHQ-9 > ou igual a 10. A gravidade dos sintomas depressivos foi avaliada pela pontuação total do PHQ-9. A gratidão foi avaliada por meio do Gratitude Questionnaire-6 (GQ-6), em que maiores escores indicam maior nível de gratidão. As análises foram realizadas no SPSS 25.0. Variáveis contínuas foram avaliadas por teste t de Student. Para regressão logística binária (preditores de EDM), foram incluídos sexo, idade e pontuação do GQ-6. Também foi realizada regressão linear entre GQ-6 e o escore contínuo do PHQ-9. Foi adotado um nível de significância de 5%. Resultados: Foram incluídos 116 participantes, com idade média de 24,4 ± 5,1 anos e predomínio do sexo feminino (53,1%). A prevalência de EDM foi de 16,4%. Indivíduos com EDM apresentaram menores escores de gratidão em comparação aos sem EDM (33,5 ± 5,7 vs. 36,6 ± 4,3; p = 0,037). Na regressão logística, maior gratidão foi o preditor mais consistente de ausência de EDM (OR = 0,87; IC95%: 0,78–0,96; p = 0,008). Idade e sexo não se associaram ao desfecho. Na regressão linear, observou-se tendência de associação negativa entre gratidão e escore de depressão (β = -0,013; p = 0,27), sem significância estatística. Conclusão: A gratidão foi significativamente associada a uma menor prevalência de episódio depressivo maior em indivíduos sem DCV. Embora a correlação negativa entre gratidão e gravidade da depressão não tenha atingido significância estatística, os achados reforçam o papel potencial da gratidão como fator protetor e estratégia de promoção da saúde mental, configurando-se como uma abordagem preventiva promissora para redução do risco de depressão nesta população.

Bibliografia

Albus C, Waller C, Fritzsche K, Gunold H, Haass M, Hamann B, et al. Significance of psychosocial factors in cardiology: update 2018: Position paper of the German Cardiac Society. Clin Res Cardiol. 2019;108(11):1175–96. Nicola Petrocchi & Alessandro Couyoumdjian (2015): The impact of gratitude on depression and anxiety: themediating role of criticizing, attacking, and reassuringthe self, Self and Identity, DOI: 10.1080/15298868.2015.1095794 Kyeong, S., Kim, J., Kim, D. et al. Effects of gratitude meditation on neural network functional connectivity and brain-heart coupling. Sci Rep 7, 5058 (2017). https://doi.org/10.1038/s41598-017-05520-9

Palavras-chave

Gratidao Depressão
Voltar