Orientador(es): CARLO MAURIZIO ROMANI
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Após um primeiro ano de pesquisa dedicado ao surgimento do movimento punk no cenário internacional, com foco na caracterização e análise dos discursos presentes nas canções, bem como nos simbolismos estéticos da indumentária , o segundo ano voltou-se para o contexto nacional, com ênfase nas cenas de São Paulo e, em menor medida, do Rio de Janeiro. Centrando-se no período entre 1978 e 1993, a pesquisa investigou como o movimento punk foi apropriado por jovens das periferias paulistas e cariocas. Questões como a violência e a formação de gangues, particularmente na cena paulistana, foram centrais para compreender a dinâmica da contracultura na cidade, já que eram temas amplamente debatidos nos fanzines da época e, em diversos momentos, chegaram a impedir a realização de eventos. A censura, devido à ditadura vigente, assim como os recorrentes conflitos com órgãos policiais. Além disso, foi realizada uma análise de como a estética punk foi percebida, indo além do modismo vendido por revistas da época. Foi visto também o surgimento de ramificações dentro da cena punk, com destaque para o desenvolvimento dos anarcopunks. O objetivo geral deste ano, foi traçar a trajetória do punk brasileiro, destacando as particularidades que o tornaram um fenômeno único, e não uma simples reprodução do que acontecia na Inglaterra. Para isso, foi fundamental compreender tanto o contexto histórico e social do país quanto os elementos próprios da cena nacional, como suas formas de produção cultural e articulações políticas. Para a realização do trabalho, foi fundamental a análise de fontes como os fanzines e documentos de censura encontrados no Acervo Punk, disponibilizado online pelo CEDIC da PUC-SP e alguns relacionados ao movimento anarcopunk disponíveis presencialmente na Biblioteca Fábio Luz. A análise de produções audiovisuais também foi essencial para ouvir relatos de participantes da cena. A pesquisa bibliográfica de trabalhos relacionados ao tema também foi indispensável. Um dos primeiros pontos analisados foi a origem do punk brasileiro: se teria surgido em Brasília ou em São Paulo. A violência foi outro tema central, visto que o punk paulistano ficou marcado pela atuação de gangues, cujas rivalidades, especialmente entre punks do ABC paulista e da capital, resultavam em alguns confrontos físicos. Entre o final de 1983 e meados de 1985, o movimento punk paulista entrou em uma fase considerada “sombria”, marcada pelo aumento da violência. Nos zines da época, é recorrente a reclamação. Nesse contexto, observamos o surgimento de vertentes dentro do próprio movimento punk, como o hardcore, o straight edge e, posteriormente, o anarcopunk. O movimento punk é uma contracultura rica, que oferece inúmeras possibilidades para futuras investigações. Embora eu esteja no processo de finalização da pesquisa, ainda carrego diversos questionamentos em aberto. O que produzi até aqui representa apenas uma pequena amostra de um universo vasto que ainda resiste.
BOTINADA – A origem do punk no Brasil. Direção: Gastão Moreira. [S. l.: s. n.], 2006. Disponível em: https://youtu.be/trIAXkc003k?si=syZTYN8nHFT64PBF. Acesso em: 7 out. 2023. CAIAFA, Janice. Movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub. São Paulo: Jorge Zahar, 1985. DE OLIVEIRA, Antonio Carlos. Os fanzines contam uma história sobre punks. [S. l.]: Rizoma, 2015. 137 p.