Orientador(es): JOEL CAMPOS DE PAULA
Área temática: BIODIVERSIDADE
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC - AF
A Baía de Guanabara, localizada no Rio de Janeiro, é considerada a segunda maior da costa brasileira e abriga diversos organismos marinhos, entre eles as algas. Estas constituem a base da cadeia alimentar, fornecendo alimento e abrigo a animais, além de servirem como bioindicadoras ambientais em resposta à poluição. Entretanto, o despejo constante de resíduos domésticos e industriais tem causado desequilíbrios nas comunidades bentônicas de macroalgas marinhas da baía ao longo dos anos. Este estudo integra o Projeto Ecológico de Longa Duração (PELD-CNPq) e tem como objetivo avaliar a diversidade de macroalgas marinhas da praia de Boa Viagem (RJ) para inferir sobre a qualidade ambiental. As coletas das macroalgas foram realizadas em todas as estações do ano entre 2018 e 2019, preservadas em formaldeído 4%, identificadas por caracteres morfológicos, registradas em listas específicas por estação e posteriormente tombadas no Herbário da UNIRIO. Foram registradas 59 espécies de macroalgas marinhas, sendo 27 Chlorophytas e 32 Rhodophytas (Tabela 1). A maior riqueza ocorreu no verão (32 espécies) e a menor na primavera (22), com inverno e outono iguais (29). Nenhuma Ochrophyta foi encontrada em nenhuma estação (Figura 1). Os resultados são semelhantes a de levantamentos anteriores realizados na área, apresentando um acréscimo de 11 Chlorophytas e 3 Rhodophytas. O aumento de algas verdes associada à redução de algas pardas sugere um ambiente impactado, uma vez que algas verdes filamentosas tendem a ser mais resistentes a condições de poluição e as pardas se mostram mais suscetíveis. Um estudo elaborado na baía, em 2020, corrobora essa ideia ao relatar um crescimento expressivo da família Cladophoraceae, superando a Ulvaceae, enquanto algas pardas só foram registradas fora da baía. Além disso, foi identificada a ocorrência de um novo gênero do Filo Rhodophyta na região. Conclui-se que a composição de macroalgas na praia de Boa Viagem é semelhante a registros recentes. A ausência das algas pardas sugere condições ambientais associadas à poluição e à eutrofização persistentes. A detecção de um novo gênero amplia o conhecimento da biodiversidade local e reforça a importância de monitoramentos periódicos. Trabalhos futuros deste projeto consistem em analisar a composição florística da Baía de Guanabara nos anos 2020-2025, abrangendo as praias de Boa Viagem, Paquetá e Praia Vermelha.
ALENCAR, E.Baía de Guanabara: descaso e resistência. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2021. DE PAULA et al. Long-term changes in macroalgae assemblages reveal a gradual biodiversity loss over the last 200 years in the hypereutrophic Guanabara Bay. Marine Environmental Research 162, 105153, 2020. https://doi.org/10.1016/j.marenvres.2020.105153 TAOUIL, A., YONESHIGUE-VALENTIN, Y. Alterações na composição florística das algas da Praia de Boa Viagem (Niterói, RJ). Brazilian Journal of Botany, 25(4), 405–412, 2002. https://doi.org/10.1590/S0100-84042002012000004