Orientador(es): HELOISA DIAS BEZERRA
Área temática: CIÊNCIAS SOCIAIS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Este projeto de pesquisa se propôs a compreender as visões, práticas e discursos que a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro têm para a questão de inclusão para alunos com deficiência em sua instituição — com os conceitos de “inclusão” e “permanência” sendo um grande foco por parte do pesquisador para a coleta de dados. E a metodologia para tal pesquisa foi uma entrevista com o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) existente e em funcionamento, junto de documentos oficiais da universidade analisados em conjunto. A revisão bibliográfica de textos sociológicos, porém, foi de importância fundamental — e as análises de Pierre Bourdieu quanto ás questões estatais foi de grande utilidade para o estudo. Tendo os eixos pautados nos dois pólos educacionais expostos acima — “inclusão” e “permanência” —, a pesquisa seguiu-se vendo de maneira detalhada cada lado e as teorias que circundam essas pautas em prol de sua explicação. No contexto da entrevista feita, as questões quanto às dificuldades de inserção de alunos PcD no ensino superior eram explicadas através de uma separação entre a legislação, a prática e a cultura. Frente aos avanços legislativos em busca de maior participação e inclusão de todos, surgia uma dificuldade de inserção nos espaços por conta das práticas da sociedade civil, oriunda de uma cultura excludente. Com os exemplos sendo as reações dos corpos docentes e discentes quanto a participação dos alunos PcD nos campus da universidade pública com suas necessidades específicas em jogo. Porém, no desenrolar dessa mesma entrevista, a questão quanto a instituição normativa de matrícula para pessoas com deficiência via ações afirmativas mostra um certo impasse quanto ao discurso dessa falta de práticas — decorrente do fato de que as instituições normativas que o Núcleo segue e está tentando alterar para uma maior inclusão seguem, pela fala dos representantes entrevistados, as instituições normativas da Lei Brasileira de Inclusão, feita em 2015. Utilizando-se da teoria bourdiana, longe de uma dicotomia entre a legislação e as práticas sociais, o que vemos é uma tensão onde a própria legislação é a produtora ocasional de exclusões, que tornam-se práticas de exclusão e desigualdades. E com isso, tanto a permanência quanto a inclusão se vêem em uma linha de tensão interpretativa e material quanto os atos normativos inclusivos e não praticados com atos normativos em vias de aperfeiçoamento com ações políticas em jogo. Os resultados obtidos na pesquisa foram a compreensão dos múltiplos fatores que influenciam a inclusão, permanência e exclusão dos discentes no ensino superior — decorrentes não só de uma cultura excludente que necessita de espaços públicos para um melhor diálogo quanto às necessidades de grupos minoritários como o das pessoas com deficiências, mas também das práticas de exclusão oriundas das próprias instituições normativas, sempre em atualização por conta da presença de alteridades distintas com necessidades próprias.
BOURDIEU, Pierre. curso de 18 de janeiro de 1990, in Sobre o Estado. São Paulo: Companhia das letras, 2012, pp. 29-58. PICCOLO, G. M.. Contribuições Antropológicas aos Estudos da Deficiência. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 28, p. e0099, 2022. UNIRIO. NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO. [Entrevista concedida a] Willyan Delphino Brandão Bueno. Projeto de Pesquisa Investigação sobre a adaptação de cursos de graduação presencial à atividades de ensino no modelo remoto emergencial, coordenação Heloisa Dias Bezerra. jun. 2025 [1 arquivo .mp3 (42min), com transcrição.